Clubes da Série A se manifestam sobre nova liga e apontam desequilíbrio
Fora do grupo nomeado como Libra, equipes da elite nacional explicam a não aprovação imediata à liga; distribuição de receitas é o principal foco do debate

O futebol brasileiro está próximo de passar por mais um momento importante. Na última segunda-feira (3), seis clubes da Série A do Campeonato Brasileiro criaram a Libra, liga que pretende mudar os rumos da elite do futebol nacional. Horas depois, os demais 14 times do Brasileirão se manifestaram sobre a ideia e apontaram que ainda há desequilíbrio financeiro no grupo recém-instituído.
Em nota oficial, América-MG, Atlético-MG, Athletico-PR, Atlético-GO, Avaí, Botafogo, Ceará, Coritiba, Cuiabá, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Internacional e Juventude questionaram principalmente um possível descompasso sobre a distribuição de receitas da Libra.
"A ideia da liga tem o mérito de prever maiores receitas para os clubes, que poderiam conviver em um ambiente mais equilibrado financeiramente. Porém, as condições apresentadas para a incorporação das agremiações à Liga ainda não permitem exatamente o cumprimento do objetivo principal, que é a busca de uma equanimidade entre os clubes", apontou o grupo em um trecho da carta.
A Libra foi criada por seis equipes da Série A (Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Santos, Red Bull Bragantino e Flamengo) e dois times da Série B (Cruzeiro e Ponte Preta). Os oito clubes assinaram um documento de fundação da nova liga, que aguarda novos membros para instituir um Conselho e anunciar novos passos.
Os times que fazem parte da Libra marcaram uma reunião para a semana que vem, na sede da CBF. A intenção do grupo é que novas equipes possam aderir à liga - a expectativa é que os 40 clubes das duas primeiras divisões do país participem do encontro.
Parte dos 14 clubes que divulgaram carta em resposta à Libra fazem parte do Forte Futebol, grupo anunciado no último mês de fevereiro - o coletivo tem como foco discutir mudanças do futebol nacional de maneira conjunta. O desequilíbrio da distribuição de receitas é um debate antigo entre os clubes da elite do Brasil.
Confira a carta divulgada em resposta à Libra:
"Os clubes signatários receberam, na última sexta-feira, a convocação para a reunião realizada nesta terça-feira (03/05/2022) em São Paulo, com o objetivo de discutir os termos da criação da Liga de futebol profissional brasileira.
Os clubes prontamente se dispuseram a comparecer ao encontro, a despeito da convocação emergencial, demonstrando, com isso, que estão absolutamente cientes e engajados na formalização da entidade, com ampla adesão das Séries A e B.
Entre as muitas razões para a formação da liga está a premente necessidade de se elevar o nível de qualidade do futebol brasileiro, resgatando seu protagonismo no cenário mundial. O caminho para alcançar este objetivo é, sim, a construção de um campeonato forte, com clubes revitalizados e um padrão de equanimidade nas condições de disputa.
A ideia da liga tem o mérito de prever maiores receitas para os clubes, que poderiam conviver em um ambiente mais equilibrado financeiramente. Porém, as condições apresentadas para a incorporação das agremiações à Liga ainda não permitem exatamente o cumprimento do objetivo principal, que é a busca de uma equanimidade entre os clubes.
O documento apresentado e por ora assinado apenas por alguns Clubes apresenta regras de distribuição de receitas que pouco reduzem a atual disparidade de divisão de receitas. Há sim ali uma redução da diferença, mas ainda aquém do ideal, o que pode ser facilmente atingido por meio do diálogo.
Entre as várias questões a serem discutidas, os aspectos principais são o percentual previamente definido para a distribuição de receita igualitária, o limite a ser estabelecido como diferença de receita entre o primeiro e o último clube da competição. Há, ainda, outros pontos a serem debatidos, sobretudo no que tange ao critério de engajamento, mas que podem ser objeto de aprofundamento após o efetivo ingresso dos Clubes signatários na Liga.
Os clubes signatários desta carta se dispõem a assinar a formação da Liga tão logo seja possível uma análise aprofundada sobre os critérios mencionados, além de outros, de menor impacto e que podem ser analisados no momento oportuno, mas igualmente importantes, razão pela qual confiam que, até a próxima reunião, com possíveis avanços no entendimento de solucionar tais pontos será possível chegarmos a uma adesão de Clubes em maior número e com isso a formalização da Liga com muita força e unidade."









