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"O Brasil não é para amadores", dispara Abel Ferreira sobre demissões

Abel Ferreira critica a cultura de demissões no Brasil e reflete sobre a pressão nos cargos de treinador após saída de Filipe Luís.

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"O Brasil não é para amadores", dispara Abel Ferreira sobre demissões
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O técnico Abel Ferreira utilizou a coletiva oficial da final do Paulistão nesta terça-feira (3) para realizar um desabafo profundo sobre a estrutura do futebol nacional. Horas após a demissão surpresa de Filipe Luís do comando do Flamengo, o treinador português analisou a instabilidade crônica que atinge os seus colegas de profissão. Abel demonstrou incômodo com a forma como os clubes brasileiros tratam o planejamento esportivo e a facilidade com que encerram ciclos vencedores ou promissores.

“O Brasil não é para amadores. Há coisas que são culturais, ainda bem que não somos todos iguais”, afirmou o comandante alviverde.

A análise do treinador focou especialmente na responsabilidade dos dirigentes que tomam as decisões baseadas exclusivamente em resultados imediatos de campo. O comandante palmeirense lamentou que o julgamento técnico mude radicalmente entre uma vitória e uma derrota casual nas competições.

“Se eu ganhei duas Libertadores, sou o melhor do mundo. Se não ganhei nada, sou o pior do mundo”, ironizou Abel durante a entrevista na sede da Federação Paulista de Futebol.

Para ele, a “magia da incerteza” do esporte não justifica a falta de convicção de quem lidera as instituições.

 
(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Abel Ferreira faz críticas ao comportamento dos torcedores

Além de questionar os executivos, o treinador também abordou o comportamento hostil de parte dos torcedores brasileiros no dia a dia dos clubes. Ele relacionou a violência em invasões de centros de treinamento com uma falta de respeito que contradiz a paixão religiosa pelo futebol:

“Sei que o futebol no Brasil está no sangue, é uma religião. Às vezes pergunto se tem Deus ou não. Deus diz que devemos respeitar uns aos outros, cuidar uns dos outros. Muitas vezes não é isso que vejo nas invasões que fazem aos CTs, na violência. Acho que Deus, realmente no futebol existem ateus. Portanto, não temos todos que pensar o mesmo.”

O técnico acredita que essa cultura de agressividade dificulta a evolução do espetáculo e afasta profissionais qualificados do país.

O Palmeiras enfrenta o Novorizontino nesta quarta-feira (4), às 20 horas, na Arena Barueri, pelo jogo de ida da grande decisão do Campeonato Paulista. Mesmo com o desabafo, o treinador garantiu foco total na busca por mais um título estadual e elogiou as condições do gramado sintético do estádio. A partida de volta ocorre no próximo domingo, em Novo Horizonte, onde o Verdão decidirá o título fora de casa. Abel encerrou a coletiva reforçando que o futebol brasileiro precisa inovar na gestão para deixar de ser um ambiente de extrema insegurança para os técnicos.

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