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Estudiantes, campeão argentino, ganha menos que vencedor da Série B

Disparidade financeira entre Brasil e Argentina ajuda a explicar domínio brasileiro na Libertadores desde 2019

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Estudiantes, campeão argentino, ganha menos que vencedor da Série B
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O Estudiantes, campeão argentino, recebeu US$ 500 mil (aproximadamente R$ 2,8 milhões) pelo título do campeonato nacional. Este valor é inferior à premiação do Coritiba, campeão da Série B do Campeonato Brasileiro, que foi de R$ 3,5 milhões.

Desde 2019, o futebol brasileiro registra um domínio na Copa Libertadores, igualando o número de títulos da Argentina na competição. Nas últimas sete edições, somente equipes brasileiras foram campeãs. Do total de 14 finalistas neste período, dois eram clubes argentinos, o River Plate, em 2019, e Boca Juniors, em 2023.

“O Brasil, nos últimos sete anos, passou a dominar a Libertadores porque esse cenário combina o declínio econômico do futebol argentino, que não se modernizou em termos de estratégia financeira, captação de recursos, comercialização de direitos e estruturação dos clubes; e a ascensão de vários clubes brasileiros, impulsionada por mais público nos estádios, maior venda de patrocínios e melhor negociação dos direitos", afirma Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia e atual CEO da Squadra Sports.

Segundo Bellintani, o debate vai além do modelo de clube. “A grande diferença no futebol brasileiro não está entre SAFs e clubes associativos, mas entre instituições bem geridas e mal geridas”, completa.

Os números reforçam esse contraste. O Flamengo, atual campeão da Libertadores, tem um contrato de patrocínio que supera R$ 260 milhões por ano, enquanto o Palmeiras recebe cerca de R$ 110 milhões anuais. Já o River Plate, com o mesmo patrocinador do clube carioca, recebe aproximadamente R$ 40 milhões por temporada.

Para Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no esporte, o problema é estrutural. “Quando analisamos a discrepância entre os valores oferecidos pelos torneios brasileiros e os praticados na Argentina, fica evidente que não se trata apenas de uma diferença pontual de premiação, mas de um contraste estrutural entre dois ecossistemas esportivos”, explica.

No Brasil, as premiações internas refletem esse cenário. Em 2024, o campeão do Brasileirão recebeu cerca de R$ 50 milhões, enquanto o vencedor da Copa do Brasil faturou aproximadamente R$ 78 milhões ao longo da competição.

Na Argentina, os valores são significativamente menores. Além dos US$ 500 mil pagos ao Estudiantes pelo título nacional, o campeão da Copa Argentina, o Independiente Rivadavia, recebeu apenas US$ 170 mil, cerca de R$ 920 mil.

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