Copa do Mundo

Como chega o Irã para a Copa do Mundo

Em meio a tensão por conflitos contra os Estados Unidos, Irã disputa o Mundial após ameaça de boicote e tenta classificação inédita

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Jogada10
29/04/2026, 07:30
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Foto: Reprodução / Jogada 10

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Terceira seleção classificada para a Copa do Mundo pelas Eliminatórias, o Irã ainda vive um cenário de indefinições e tensões quanto à sua participação no torneio. Afinal, o país está em conflito com os Estados Unidos, um dos países-sedes, o que já colocou em dúvida a participação persa no Mundial. Por outro lado, em campo, a seleção se prepara para uma possível despedida de uma geração que ainda não brilhou o quanto era esperado.

Mais uma vez, os iranianos conseguiram ser uma das grandes forças do cenário continental. Aliás, o título na Copa da Ásia Central, contra o Uzbequistão, comprovou isso. Nos amistosos, vitórias contra Quênia, Bulgária, Angola, Jordânia e Qatar, e empate contra a Rússia. Na estreia nas Eliminatórias, goleada contra Hong Kong e empate contra os uzbeques.

Já na Copa da Ásia, o Irã passou com 100% de aproveitamento da fase de grupos. Porém, nas oitavas, teve dificuldades e eliminou a Síria nos pênaltis. Por outro lado, nas quartas, venceu o favorito Japão, de virada, avançando no torneio. Entretanto, em um jogo emocionante, com algumas polêmicas, perdeu para o Qatar, também de virada, e ampliou o jejum de títulos na principal competição continental.

Por outro lado, nas Eliminatórias, a seleção seguiu com sua forte campanha, vencendo Turcomenistão e Hong Kong e empatando apenas com o Uzbequistão. Na terceira fase, mostrou sua força ao golear o Qatar e teve uma campanha sólida, empatando apenas com os uzbeques, em outras duas ocasiões. Inclusive, a classificação veio com três rodadas de antecedência, em um dos confrontos contra os Lobos.

Irã garantiu vaga na Copa com três rodadas de antecedência – Foto: Divulgação/FFIRI

Com a classificação antecipada, o Irã teve tempo para se preparar. Porém, os resultados não foram como esperado. Na segunda edição da Copa da Ásia Central, derrota para o Uzbequistão na final. Nos amistosos, revés contra a Rússia e vitória apenas contra a Tanzânia. Em torneio amistoso realizado nos Emirados Árabes, em novembro, passou por Cabo Verde nos pênaltis, mas, também nas penalidades, perdeu uma nova decisão para os uzbeques.

Em 2026, a tensão tomou conta do país. Os ataques dos Estados Unidos e a resposta iraniana colocaram em xeque a participação persa na Copa. O Ministério dos Esportes, inicialmente, ameaçou um boicote. Depois, solicitou que as partidas do Irã acontecessem no México. Por outro lado, a Fifa se mobilizou para garantir a presença iraniana na competição, em conversas com os dois lados. Dentro de campo, a seleção seguiu sua preparação, perdendo para a Nigéria e goleando a Costa Rica. No momento, o Team Melli ocupa a 21ª posição do ranking da Fifa.

O destaque

Maior artilheiro da seleção em atividade, Mehdi Taremi se tornou o grande símbolo da geração que disputa sua quarta Copa do Mundo seguida. O atacante, que atualmente defende o Olympiacos, da Grécia, acumula passagens por grandes equipes do futebol europeu, como Inter de Milão e Porto, e marcou 16 gols na atual temporada.

Taremi é o maior artilheiro em atividade da seleção iraniana – Foto: Divulgação/@mehditaremiofficial9

Pela seleção, Taremi atua desde 2015, indo para o seu terceiro Mundial na carreira. Recentemente, com os gols marcados contra Nigéria e Costa Rica, ultrapassou Sardar Azmoun e chegou aos 59 gols com a camisa da seleção. Agora, o jogador está atrás apenas da lenda Ali Daei entre os artilheiros da história do Team Melli. Inclusive, a expectativa é que o atacante, que não deve contar com a parceria de Azmoun, seja a grande referência persa no Mundial, para ir em busca da classificação inédita no mata-mata.

O comandante

Depois de três Copas sob o comando de Carlos Queiroz, sendo a última às vésperas do torneio, o Irã decidiu apostar em uma solução caseira. Amir Ghalenoei assumiu a seleção neste ciclo, fazendo com que um iraniano voltasse ao cargo após mais de uma década. Sob o seu comando, os Persas conquistaram a Copa da Ásia Central uma vez, chegaram até as semifinais da Copa Ásia e não tiveram dificuldades para garantir a vaga no Mundial.

Amir Ghalenoei assumiu a seleção em 2023 – Foto: Wikimedia Commons

Ghalenoei atuou como meia em sua carreira como jogador e defendeu a seleção entre os anos 80 e 90, sem disputar uma Copa. Inclusive, o técnico já possui uma passagem pelo Team Melli, após a Copa de 2006, durante a disputa da Copa da Ásia do ano seguinte. Além disso, o treinador acumula passagens por alguns dos principais clubes do país, como Esteghlal Teerã, Sepahan e Tractor, conquistando a liga iraniana em cinco oportunidades.

Campanhas em Copas

O Irã estreou em Mundiais em 1978, na Argentina, somando seu primeiro ponto no empate contra a Escócia, mas sendo goleado por Holanda e Peru. O retorno aconteceu apenas 20 anos depois, na França, com a primeira vitória, no chamado “Jogo da Paz”, contra os Estados Unidos. Porém, nos outros jogos, derrotas para Iugoslávia e Alemanha. Já em 2006, na despedida da geração de Ali Daei, os Persas perderam para México e Portugal e somaram apenas um ponto contra Angola.

Depois de oito anos, uma nova geração veio em 2014. Empate contra a Nigéria na estreia, jogo duro contra a Argentina, com gol sofrido no finalzinho, mas a derrota para a Bósnia sacramentou a eliminação. Já em 2018, vitória na estreia contra o Marrocos, derrota para a Espanha e um empate dramático contra Portugal, com Cristiano Ronaldo perdendo pênalti. Já em 2022, os Persas estrearam sofrendo uma goleada para a Inglaterra. No segundo jogo, bateram o País de Gales por 2 a 0. Porém, no jogo que poderia valer a primeira classificação para o mata-mata, derrota pelo placar mínimo para os Estados Unidos e mais uma eliminação iraniana.

Time-base

Beiravand; Hardani, Kanaani, Khalilzadeh, Nemati e Mohammadi; Mohebi, Ghoddos, Golizadeh e Jahanbakhsh; Taremi.

O país

O Irã abrigou uma das maiores civilizações da antiguidade: a Pérsia. Por quase três mil anos, o Império dominou a região, sendo invadido pelos Árabes no século VII. O país conseguiu se restabelecer apenas em 1501, com o Império Safávida, e depois, no começo do século XX, virou uma república constitucionalista. Entretanto, em 1979, aconteceu a revolução iraniana, que transformou a nação em uma república islâmica, com um presidencialismo autoritário teocrático. Com a morte de Ali Khamenei, seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu o cargo de líder supremo. Já Masoud Pezeshkian é o atual presidente.

O país tem uma área de 1.648.195 km², a segunda maior do Oriente Médio, e uma população de 92.417.681 habitantes, sendo o 17º mais populoso do mundo. A capital do Irã é Teerã e a economia iraniana é fortemente dependente da exportação de petróleo e gás natural.

Celebridades

O país é muito conhecido por suas produções cinematograficas, que tem como característica o realismo poético, narrativas humanistas e crítica social sutil, por conta do regime islâmico. Além do sucesso em Bollywood, as produções são conhecidas mundialmente, principalmente pelos apreciadores do cinema alternativo.

Asghard Farhadio ganhou o Oscar duas vezes – Foto: Reprodução/Instagram asgharfarhadiofficial

Destaque para o cineasta Asghar Farhadi, que conquistou duas vezes o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com as produções “A Separação” e “O Apartamento”. Além desses, outros filmes também fizeram fama mundial, como “Gosto de Cereja”, “Táxi Teerã”, “A Maçã”, “Filhos do Paraíso”, “A Cor do Paraíso” e a animação “Persépolis”.

Persas tentam classificação para o mata-mata pela primeira vez na história – Foto: Divulgação/FFIRI

O que esperar do Irã

Só o fato dos Persas disputarem a Copa em meios aos conflitos no país será histórico. Porém, o Team Melli pode alcançar feitos inéditos nesta edição do Mundial. Afinal, a chave com Bélgica, Egito e Nova Zelândia abre a possibilidade da primeira classificação iraniana para o mata-mata na história do torneio. Além do mais, essa pode ser a última participação de boa parte da geração que vem atuando há uma década na equipe. Entretanto, resta saber como as questões extracampo podem prejudicar o time e a campanha persa na América do Norte.

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