ONGs pressionam, mas Catar diz não a fundo indenizatório para trabalhadores
Ministro do Trabalho catari questiona dados sobre vítimas nas obras realizadas para Copa do Mundo e diz que acusações são movidas a preconceito

País-sede da Copa do Mundo de 2022, o Catar rejeitou a criação de um fundo indenizatório para trabalhadores mortos ou prejudicados nas construções de projetos para o evento realizado pela Fifa. Mesmo com a pressão e dados revelados por diversas ONGs (Organizações Não Governamentais), o ministro do Trabalho do país negou a medida e questionou a veracidade dos fatos.
"Este pedido, de uma campanha de indenização, é uma estratégia de comunicação. Cada morte é uma tragédia, mas não há critérios para criar esse fundo. Onde estão as vítimas? Eles têm os nomes delas? Como conseguiram esses números?", disse Ali bin Samij Al-Marri em entrevista exclusiva à AFP.
No dia 20 de outubro, a Anistia Internacional divulgou um relatório em que assegurava que milhares de trabalhadores do Catar enfrentaram condições desumanas, como falta e atraso de pagamento de salário, longas rotinas de trabalho, ausência de período de descanso e falta de segurança.
Em abril, essa mesma ONG denunciou um caso em que 34 trabalhadores revelaram trabalhar em condições extremas e sem período de descanso. Um conjunto dessas organizações, incluindo também a Human Rights Watch, pediu à Fifa e ao Catar que indenizassem os trabalhadores das obras da competição, no mesmo valor da premiação da Copa: US$ 440 milhões (cerca de R$ 2,3 bi).
Nas palavras do ministro do Trabalho do Catar, essas instituições tentam tirar o crédito do país com "alegações deliberadamente enganosas", algumas vezes "motivadas pelo racismo".









