Supercopa da Espanha rende 24 milhões de euros para empresa de Piqué
Jogo decisivo é disputado na Arábia Saudita desde 2020; zagueiro afirma que não há conflito de interesse em caso polêmico

A empresa Kosmos, presidida pelo zagueiro do Barcelona Gerard Piqué, receberá 24 milhões de euros por intermediar o acordo entre a Federação Espanhola de Futebol (REEF) e a Arábia Saudita, para levar a Supercopa da Espanha ao país árabe. O assunto se tornou motivo de polêmica na imprensa espanhola, e o defensor blaugrana precisou se defender.
O montante para a empresa do atleta representa 10% do que o país asiático pagará para a federação espanhola, sendo 40 milhões de euros por temporada - no total, a empresa de Piqué vai receber 24 milhões de euros pelo contrato (aproximadamente 120 milhões de reais). A Supercopa da Espanha tem sido sediada pela Arábia Saudita desde 2020.
"O comentário faz parte dos 'Supercopa Files', uma série de arquivos que revelam, entre outros escândalos, que Piqué teve um papel decisivo nas negociações para a realização da Supercopa na Arábia Saudita e teve ao longo desse processo um tratamento privilegiado por parte de Rubiales por motivos não esclarecidos", escreveu o El Confidencial, site espanhol que publicou detalhes da negociação.
O veículo ainda teve acesso aos áudios e mensagens trocadas entre jogador e presidente da Federação, Luis Rubiales. Piqué precisou convocar uma entrevista coletiva, que aconteceu pela plataforma Twitch, para se defender.
"Tudo o que fizemos é legal e não houve conflito de interesses. No mundo em que atuamos, uma comissão de 10% é o padrão de mercado e de acordo com o que todas as agências cobram por esse tipo de gestão", disse o jogador durante a coletiva.
A participação da Kosmos na negociação não era segredo, pois Rubiales confirmou em janeiro de 2020, semanas antes da primeira edição da Supercopa no país monarca, a participação da empresa de Piqué. Na ocasião, o presidente da REEF garantiu que a entidade não faria nenhum pagamento direto para a empresa, evitando qualquer infração ao código de ética da instituição.
Com a repercussão, a Federação Espanhola também precisou se defender. Em comunicado, a entidade afirmou que se trata de uma "ação criminal organizada e dirigida à posterior revelação de segredos mediante à distribuição de documentação confidencial com uma clara intenção espúria".
"As informações não trazem nada de novo ao que foi publicado em 2019. Todos os números da operação foram apresentados, explicados e respaldados pela Assembleia do Futebol", disse Luis Rubiales em entrevista para o jornal Marca, da Espanha.









