Bia Zaneratto sonha em disputar a Liga dos Campeões, mas não descarta volta ao Palmeiras
Em entrevista exclusiva ao SBT Sports, atacante da seleção brasileira agradece apoio da torcida do Verdão e abre o jogo sobre as Olimpíadas de Tóquio


Após disputar as Olimpíadas de Tóquio com a seleção brasileira, a atacante Bia Zaneratto voltou ao Brasil apenas para se despedir do Palmeiras. Artilheira do Brasileirão, ela deixou o Verdão rumo ao futebol chinês para cumprir contrato com o Wuhan Xinjiyuan. O clube asiático não entrou em acordo para liberar a jogadora.
Em entrevista exclusiva ao SBT Sports, Bia comentou sobre a saída do Palmeiras e agradeceu o apoio da torcida. Ela afirmou que tem o desejo de disputar uma Liga dos Campeões, mas que também pretende voltar ao Verdão futuramente. A atacante ainda falou sobre o clima em Tóquio e avaliou o trabalho da técnica Pia Sundhage como fundamental para a evolução da seleção brasileira.
"É uma honra muito grande (ter o apoio da torcida), porque a gente sabe da dimensão do grupo do Palmeiras. A gente sabe que querendo ou não existe uma discrepância entre o feminino e o masculino, porém os torcedores me abraçaram de um jeito que me deixou muito feliz. Espero um dia voltar", disse Bia, afirmando que "todas as propostas serão bem-vindas". "Preciso focar aqui nesse momento e depois pensar onde eu vou jogar, se volto para o Brasil ou vou para a Europa. Eu tenho vontade de disputar uma Liga dos Campeões, então pode ser que seja o momento. Mas também posso voltar para o Brasil e ficar perto da família, que é o meu porto seguro. Ainda não tenho nada certo."
Confira a íntegra da entrevista:
Como foi representar o Brasil em Tóquio?
É uma experiência única poder representar o Brasil. Eu estava na minha segunda Olimpíada e a gente saiu com um gostinho de frustração por não ter alcançado o nosso objetivo maior. A gente saiu do Brasil e fez uma pré-temporada nos Estados Unidos mentalizando uma medalha olímpica. De repente, o sonho foi interrompido pelo Canadá. Isso nos frustrou bastante, mas sabemos do nosso potencial. Temos muito a melhorar e já evoluímos bastante depois da chegada da Pia. Agora é melhorar mais para chegar lá e de fato trazer essa medalha.
Como estava o ambiente na seleção?
O ambiente era muito favorável. A Pia sempre deixou um clima muito gostoso pra gente trabalhar. Sempre existiu muita cobrança, mas também era um momento gostoso quando a gente estava dentro de campo trabalhando. Trabalhamos muito, mas infelizmente não foi o suficiente.
O que faltou para conseguir a medalha?
Estava tudo certo. A gente tinha trabalhado todos os quesitos. A Pia evoluiu muito a nossa seleção na questão de organização, tanto defensiva como ofensiva. Antes nós éramos muito mais compactas. Acho que foram detalhes. A gente teve chances, principalmente no primeiro tempo, mas não conseguimos marcar o gol e os pênaltis são difíceis. Não tem vantagem para ninguém, então o Canadá foi mais feliz e conseguiu levar.
O ambiente com a Pia é mais descontraído?
Ela deixa o ambiente muito saudável, muito favorável para que a gente possa desempenhar o nosso melhor futebol. Aquilo que ela mostra em rede social é o dia a dia dela mesmo com a gente. Ela é uma mulher super dedicada e feliz no que ela está fazendo. Isso faz com que as coisas aconteçam da melhor forma dentro de campo.
Aqui no Brasil ficou conhecida como Imperatriz por conta do Adriano Imperador. Como vê essa comparação?
Esse apelido surgiu nas Olimpíadas de 2016, acho que é mais por esse meu porte físico, grande, trombadora e finalizadora. Acho que foi mais nesse sentido a comparação. Eu fiquei muito honrada porque ele era um p*** de um jogador, um jogador que tinha essas mesmas qualidades. Fiquei muito feliz por esse apelido de Imperatriz.
Foi difícil disputar os Jogos durante uma pandemia?
É um momento tão especial para ele não ter público. Eu vivi a sensação da Rio-2016 e esse ano a gente não tinha torcida nenhuma, então é uma situação bem diferente. A gente sentiu muito a falta do calor da torcida e da vibração ali no campo, a gritaria. Mas a gente sentia também toda a energia positiva que vinha do Brasil. Nas redes sociais, as nossas famílias nos acompanhando e mandando mensagens de incentivo... Mas sentimos muita falta de ter a torcida vivendo esse momento tão especial.
Você chegou a homenagear sua avó nas Olimpíadas. Como foi perder um membro da família para Covid-19?
Eu perdi a minha vó justamente para a Covid-19 no início do ano. Foi muito difícil, porque em todos os anos ela sempre me acompanhou e torceu muito. Nesse momento tão feliz ela não estava mais comigo. Na hora do gol eu apontei para cima e fiz o L (de Luzia) para homenagear ela, porque eu sei que de alguma forma estamos sempre conectadas.
Depois disso eu com uma amiga (Bruna) criamos uma ONG (NaLuz), porque além de perder a minha avó, eu também perdi uma das minhas melhores amigas uma semana depois. A gente criou um projeto para ajudar pessoas lá em Araraquara que estão passando por muita necessidade. Arrecadamos alimentos e roupas, tudo o que a gente pode, para ajudar as pessoas nesse momento tão difícil de pandemia. Isso é para homenagear elas e tudo o que fizeram por nós.
Não houve acordo para você ficar no Palmeiras?
Eu ainda tinha um contrato aqui com o Wuhan e para ficar no Brasil eu teria que romper o contrato e pagar uma multa rescisória. Nesse momento não houve acordo e como eu só preciso passar por esse último ano, até dezembro , preferi aguentar mais um pouco aqui e depois tomar novos rumos. Mas foi bem difícil deixar o Palmeiras nesse momento. Eu estava muito feliz lá e acho que todo mundo sabe o quanto eu queria permanecer. Sigo daqui torcendo pelas meninas.
A torcida do Verdão lamentou muito a sua saída. Como foi receber o carinho deles?
É uma honra muito grande, porque a gente sabe da dimensão do grupo do Palmeiras. A gente sabe que querendo ou não existe uma discrepância entre o feminino e o masculino, porém os torcedores me abraçaram de um jeito que me deixou muito feliz. Claro que todo o trabalho que eu já vinha fazendo trouxe essa aproximação da torcida comigo mesmo diante de uma pandemia, mas eles criaram até campanhas para tentar a minha permanência. Isso foi muito bacana e eu sou muito grata. Espero um dia voltar para o Palmeiras. A gente não sabe o que vai acontecer amanhã, mas fiquei muito feliz pela receptividade deles comigo.
Você se tornou artilheira do Brasileirão (com 11 gols) e ainda foi líder em assistências. Como avalia essa fase no Brasil?
Eu estava muito feliz e as coisas estavam dando muito certo. Eu estava sendo a artilheira e o atacante sempre espera marcar gols. Como eu falei, nunca coloquei uma meta, mas eu sempre busco dar o meu melhor dentro de campo a cada jogo. Sempre falei muito do grupo do Palmeiras, nunca era só a Bia, porque para a Bia fazer o gol a gente precisava do elenco. Até na minha despedida com elas eu falei isso, se elas continuassem jogando juntas e unidas, com certeza elas iam alcançar o objetivo maior. O elenco do Palmeiras é muito competitivo, muito bom. O Ricardo Belli vem fazendo um trabalho muito bom e com certeza eles vão alcançar bons resultados com ou sem a Bia.
Quais as principais diferenças de atuar na China?
São estilos diferentes de jogo. A forma como eu vinha jogando no Palmeiras tinha muito toque de bola e velocidade. Eu me sentia muito à vontade ali no sistema com que o Belli colocava. Aqui na China o estilo é mais de correria, muitas bolas são lançadas da zaga direto para o ataque. Acho o futebol que a gente estava jogando no Palmeiras mais organizado.
Quais são os planos para o futuro? Em um possível retorno ao Brasil, jogaria em um rival do Palmeiras?
Eu vou realmente só cumprir o contrato aqui (na China). Não tenho pretensões de ficar aqui no ano que vem. Ainda está em aberto o que vai acontecer para o próximo ano. Estou deixando as coisas acontecerem. Estou aguardando as propostas chegarem para tomar a decisão que for melhor e que vai me deixar feliz. Não sei se jogaria num rival porque ainda não pensei nisso. Todas as propostas serão bem-vindas. Preciso focar aqui nesse momento e depois pensar onde eu vou jogar, se volto para o Brasil ou vou para a Europa. Eu tenho vontade de disputar uma Liga dos Campeões, então pode ser que seja o momento. Mas também posso voltar para o Brasil e ficar perto da família, que é o meu porto seguro. Ainda não tenho nada certo.









