Jorge Jesus: "Sem a pandemia, talvez estivesse até hoje no Flamengo"
Jorge Jesus escreve semanalmente uma coluna no jornal Record, em Portugal, e lembrou sua passagem marcante pelo clube brasileiro

Jorge Jesus deixou o Flamengo há mais de seis anos, mas segue fortemente ligado à história recente do clube. Em coluna publicada no jornal português Record, o treinador relembrou a passagem pelo Rubro-Negro e afirmou que comandou o maior clube de sua carreira.
“O maior clube que eu treinei foi o Flamengo. Segundo estudos, só o Barcelona supera a ‘Nação rubro-negra’ em número de torcedores. Mas com a grandeza vem a exigência, por vezes sufocante, dada a disputa com o Palmeiras, pelo troféu de ‘clube mais vencedor do Brasil’”, escreveu.
Atualmente no comando do Al Nassr, da Arábia Saudita, o técnico também recordou a relação com o elenco campeão de 2019.
“Foi o grupo que mais se interessou e se preocupou comigo. Se interessavam em saber o porquê dos exercícios e das conversas com alguns durante o treino. E eu ficava no gramado a explicar tudo, no final”, completou.

Números históricos no Flamengo
Jorge Jesus tem o melhor aproveitamento de um técnico do Flamengo no século. Em 58 jogos, foram 44 vitórias, 10 empates e quatro derrotas, com 81,6% de aproveitamento.
No período, o treinador conquistou cinco títulos: Campeonato Carioca, Campeonato Brasileiro, Libertadores, Supercopa do Brasil e Recopa Sul-Americana.
Saída ocorreu durante a pandemia
O treinador também afirmou que sua saída do Flamengo não ocorreu por vontade própria. Segundo ele, a pandemia da Covid-19 foi decisiva para a decisão de deixar o Brasil.
“Por isso não teria saído daquela cidade maravilhosa se não fosse a Covid-19. O meu primeiro teste deu positivo e o segundo deu inconclusivo. Por precaução fui trancado no apartamento, sozinho”, relatou.
“Os médicos me visitavam vestidos com roupas anti contágio e os funcionários do clube deixavam a comida na minha porta. Tocavam e fugiam antes de eu abrir. Sentia-me numa prisão. Via as notícias, e no Brasil a Covid parecia sentença de morte”, acrescentou.
O treinador afirmou que o medo da doença e o desejo de ficar mais próximo de sua terra natal pesaram na decisão de retornar a Portugal.
“Então decidi, se era para morrer, que fosse em Portugal. E vim embora. Sem a pandemia, se calhar hoje ainda estaria no Flamengo. Entre julho de 2019 e abril de 2020 ganhámos cinco troféus e só perdemos quatro jogos”, disse.
Sequência de técnicos após saída
Desde a saída de Jorge Jesus, o Flamengo passou por uma série de mudanças no comando técnico. Dez treinadores assumiram a equipe principal no período.
Foram eles: Domenec Torrent, Rogério Ceni, Renato Gaúcho, Paulo Sousa, Dorival Júnior, Vítor Pereira, Jorge Sampaoli, Tite, Filipe Luís e Leonardo Jardim.









