Bastidores: Flamengo trava negociações e clima pesa após veto a Mikey Johnston
Diretoria recua de última hora, irrita José Boto e deixa futuro de reforços como Carrascal em compasso de espera

SBT Sports
A desistência da contratação de Mikey Johnston expôs um clima de forte desconforto nos bastidores do Flamengo. Segundo o jornalista Venê Casagrande, a decisão de vetar a chegada do atacante, já acertado com o clube, provocou insatisfação interna e deixou as negociações paralisadas até que a situação seja esclarecida.
O diretor de futebol José Boto não recebeu bem a reviravolta e pretende conversar pessoalmente com o presidente Bap. O dirigente português quer entender se terá autonomia nas decisões ou se esse tipo de interferência será recorrente. A insatisfação é tamanha que, no momento, todas as negociações do Flamengo estão travadas, inclusive a chegada de Carrascal.
O técnico Filipe Luís também foi comunicado sobre o veto. Ele já havia conversado com Mikey Johnston e pretendia utilizar o atacante já no próximo compromisso do time, neste sábado (12), contra o São Paulo. A passagem do jogador para o Rio já estava emitida, com chegada prevista para as 5h da manhã desta terça-feira (8). Com a decisão da diretoria, Johnston foi informado do cancelamento e, segundo fontes ligadas ao jogador, ficou desconfortável com a situação.
O estopim para o veto partiu de um parecer do Departamento Médico do clube. Após análise detalhada dos laudos, os profissionais de saúde sugeriram que a contratação não fosse concretizada. A equipe médica apontou um histórico de lesões preocupante no atacante irlandês, incluindo cirurgia no joelho e contusões na coluna.
Além disso, chamou atenção o baixo número de minutos jogados por Mikey Johnston nas últimas temporadas. Os médicos calcularam que ele seria capaz de atuar, no máximo, 1.800 minutos por ano, número considerado muito abaixo do esperado para o nível de exigência do calendário brasileiro. Para efeito de comparação, esse desempenho seria inferior até mesmo ao de De La Cruz, atleta que já convive com problemas físicos no elenco atual.
Diante desse cenário, Bap optou por vetar o investimento, avaliado em cerca de R$ 35 milhões, por um jogador visto apenas como opção de elenco. A decisão, no entanto, abriu uma crise interna e expôs uma possível falta de alinhamento entre a cúpula do futebol e a presidência.