Gustavo Scarpa abre o jogo em entrevista ao “SBT Sports”
Meia do Atlético-MG falou sobre literatura, hobbies, influência fora dos gramados e projetou a reta decisiva da temporada

Gustavo Scarpa abre o jogo em entrevista ao “SBT Sports”
Livros, skate, filhos e, claro, futebol. Em entrevista ao “SBT Sports”, Gustavo Scarpa falou sobre diferentes aspectos de sua vida dentro e fora dos campos. O meia conversou com a repórter Nina Galiotte sobre a paixão pela literatura, a repercussão de seu canal de resenhas no YouTube e o impacto que percebe ao incentivar outras pessoas a ler, além de comentar o momento do Galo e a busca pelos títulos da Conmebol Sul-Americana e da Copa do Brasil.
Conhecido por compartilhar suas leituras e resenhas nas redes sociais, Scarpa contou que se surpreendeu com a repercussão de um conteúdo sobre “A Morte de Ivan Ilitch”, de Liev Tolstói. O jogador revelou que inicialmente desconfiou do conteúdo ao vê-lo publicado por um site que não conhecia, mas percebeu que o assunto havia ganhado força quando outros veículos também começaram a repercutir o conteúdo.
A literatura russa, aliás, já fazia parte da trajetória de leitor do jogador. “É um livro diferente. Não foi o meu primeiro, porém imagino que não seja o que a galera mais curta, mas acho que a curiosidade do pessoal foi verdadeira”, afirmou.
Entre tantos livros que já passaram pelas mãos de Scarpa, um continua ocupando lugar especial. “O preferido nessa minha saga de leitor ainda acho que é ‘Os Miseráveis’, de Victor Hugo. É espetacular e eu tenho muita vontade de ler de novo, mas é uma missão. Lembro que demorei alguns meses para terminar porque acabava colocando outro livro no meio. É muito grande. Falta um pouco de coragem e de tempo.”
O meia também revelou que pretende reler “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, para fazer uma análise ao lado de Rony, hoje no Santos, companheiro dos tempos de Palmeiras, que também se aventurou na literatura. E, quando o assunto é a famosa dúvida sobre Capitu, Scarpa admitiu que sua opinião pode mudar após uma nova leitura.
“Então, na época, para mim, traiu demais, mas eu preciso ler de novo para saber se traiu ou não”, brincou.
A paixão pelos livros começou a ganhar força em 2019, depois de uma aposta feita com Pedro Jatene, que na época era estagiário no Palmeiras e hoje trabalha no São Paulo. Em 2018, quando chegou ao clube paulista, Scarpa já havia recebido de sua tia uma biografia de Steve Jobs.
“Ele me presenteou com ‘O Médico e o Monstro’ e começamos uma aposta: gol valia um livro, duas assistências valiam um livro. Eu estava em uma fase boa e a aposta não durou muito tempo, não. Ele me deu algumas indicações, outras eu fui pesquisando em listas de clássicos e obras importantes da história e comecei a conhecer esses autores que eu nunca imaginei que leria”, explicou.
O hábito acabou ultrapassando a esfera pessoal e também passou a aproximar Scarpa de um público que vai muito além do futebol. O atleta contou que recebe mensagens de pessoas de diferentes áreas e se surpreendeu ao saber que sua relação com os livros incentivou outras pessoas a retomarem o hábito da leitura.
“Achava que sabia o peso que isso tinha, mas não. Estou muito feliz porque tenho recebido tanta mensagem de uma galera completamente fora do futebol: músicos, artistas, atores, atrizes. Pessoas que não liam e começaram a ler por causa de mim, outras que estavam enferrujadas e voltaram a ler. É um momento muito legal e divertido”, destacou.
A repercussão também reforçou em Scarpa a consciência sobre a influência que um jogador de futebol pode exercer fora dos gramados.
“Desde quando eu fui para o profissional, já sabia da influência que o jogador tem na vida das crianças, adolescentes e até dos adultos. Então sempre levei muito a sério essa questão de ser uma referência. Procuro viver a minha vida de uma forma tranquila e sei da responsabilidade que eu carrego por ser uma pessoa pública”, afirmou.
Do skate aos títulos com o Galo
Pai de dois filhos, Henrique e Gabriel, Gustavo Scarpa contou que a rotina mudou e que alguns dos hobbies que costumava praticar, como wakeboard e skate, acabaram ficando de lado. O skate, porém, teve um papel especial em sua vida e chegou a dividir espaço com os livros.
“Hoje, a minha rotina é muito voltada para os meninos, então, quando estou em casa, acabo priorizando ficar com eles. Mas a fase em que eu estava no skate era legal porque eu ia para a pista e levava meu livro, era um momento espetacular, só quem anda mesmo sabe a força que aquele carrinho tem na nossa rotina”, recordou o meio-campista, que também lembrou das tradicionais comemorações comendo bolacha com leite condensado.
Apesar da paixão pela literatura, quando precisou escolher entre os clássicos dos livros e os clássicos do futebol, Scarpa não hesitou.
“Acho que os clássicos no gramado (risos). A emoção, estádio lotado... O livro tem a sua importância, relevância na minha rotina, mas ainda sou jogador de futebol”, brincou.
E foi justamente dentro de campo que o meia concentrou suas atenções. Com o Atlético-MG vivo na disputa da Conmebol Sul-Americana e da Copa do Brasil, o camisa 10 falou sobre o momento da equipe e demonstrou confiança na possibilidade de brigar pelos títulos na reta decisiva da temporada.
“A equipe vive um grande momento, está viva nas duas Copas, estamos em sétimo no Brasileiro, um ano para ser valorizado. A gente vem de dois anos em que batemos na trave dos títulos importantes. Acredito que temos capacidade de levar a Sul-Americana e a Copa do Brasil. Claro que é difícil, claro que temos jogos difíceis, sabemos da qualidade dos nossos adversários, mas, valorizando o nosso momento e confiante no nosso grupo, dá para sonhar com os títulos”, analisou.
Questionado sobre a preferência por enfrentar um brasileiro ou um argentino em uma eventual final da Sul-Americana, Scarpa preferiu não escolher o adversário e ainda brincou com a possibilidade de sua resposta virar manchete.
“Claro que quem quer ser campeão não pode, de forma alguma, escolher adversário. Não sei te responder, na verdade. Todos seriam difíceis, mas não vou falar uma final brasileira ou com argentino, porque, se der diferente, o sem noção que não lê a notícia inteira vai me encher o saco depois”, brincou.
No fim da conversa, de volta à literatura, Nina recomendou a leitura de “A Cabeça do Santo” para Scarpa, que surpreendeu ao dizer que havia acabado de terminar a obra.
“Acabei hoje, acredita? Gostei bastante. Esperava um pouquinho mais do final, mas, até ele encontrar o pai e tal, achei maneiro. Me surpreendeu”, finalizou.











