Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 2002
Com o brilho de Ronaldo, Brasil superou adversidades do ciclo e ampliou a sua hegemonia dentro da competição


Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 2002
Com um ciclo muito conturbado, troca de treinadores e polêmicas na convocação, o Brasil chegou desacreditado para a Copa do Mundo 2002, na Coreia do Sul e no Japão. Entretanto, a “Família Scolari” veio com força, Ronaldo ressurgiu e se redimiu dos problemas na França, além de Rivaldo, que virou um maestro. Com todos esses fatores, a Seleção conquistou o tão sonhado pentacampeonato.
Entretanto, antes da glória, é preciso lembrar do caminho tortuoso que o Brasil percorreu até chegar ao Mundial. Após o vice em 98, Zagallo deixou o comando e Vanderlei Luxemburgo, considerado o melhor treinador do país, assumiu a Seleção. Porém, apesar da expectativa, o técnico não teve uma grande passagem. Contudo, apesar da conquista da Copa América em 99, com o surgimento de Ronaldinho Gaúcho com a Amarelinha, o Brasil perdeu a Copa das Confederações para o México, no mesmo ano, e caiu na semifinal das Olimpíadas de 2000, para Camarões, com dois a mais em campo. Após os jogos olímpicos, Luxemburgo, que também tinha problemas na justiça, deixou o cargo.
Para aquela edição, as Eliminatórias mudaram e seriam disputadas em turno e returno, ocupando quase todo o ciclo. No primeiro turno, a Seleção conquistou cinco vitórias, dois empates e duas derrotas. Em meio a isso, Ronaldo sofreu uma grave lesão no joelho direito, que o deixou fora dos gramados por mais de um ano. O Brasil teve Candinho no comando em algumas partidas e depois Leão. Entretanto, o ex-goleiro não durou muito tempo, sendo demitido ainda no aeroporto quando voltava da Copa das Confederações de 2001, no Japão, onde a equipe terminou no quarto lugar.
Tentando resolver os problemas e garantir a vaga na Copa, Luiz Felipe Scolari veio para ser o quarto treinador do ciclo. Porém, logo de cara, veio o vexame na Copa América da Colômbia, com a eliminação nas quartas de final para Honduras. Na época, a imprensa tratou esse como o maior vexame da história da Seleção. Por outro lado, o técnico teve uma série de desfalques e teve jogadores abaixo do esperado, como Rivaldo. Nas Eliminatórias, quatro derrotas, quatro vitórias e um empate. Por conta disso, a classificação só veio na última rodada, no triunfo contra a Venezuela, no Maracanã.
Para a convocação, o técnico encarou a pressão popular, que pedia o retorno de Romário, artilheiro do último Brasileirão, à Seleção. Entretanto, Scolari decidiu não levar o Baixinho e optou por Ronaldo, que ainda tentava voltar a sua condição ideal após a grave lesão. Contudo, o treinador recebeu diversos protestos pela troca no ataque, com torcedores revoltados com a lista final. No elenco, o Brasil tinha seis remanescentes do vice na França: Cafu, Ronaldo, Roberto Carlos, Dida, Rivaldo e Denílson. Os dois primeiros eram os únicos campeões mundiais e participavam do torneio pela terceira vez.
Fase de grupos
Jogando em um inovador sistema 3-5-2, o Brasil encarou a surpreendente Turquia na estreia. Nos acréscimos do primeiro tempo, Hassan Şaş recebeu nas costas da marcação e bateu firme para abrir o marcador. Entretanto, logo no começo da segunda etapa, Rivaldo cruzou na área e Ronaldo se atirou para marcar. Já na reta final do jogo, Alpay puxou a camisa de Luizão fora da área. O atacante conseguiu dar uma forçada e cair dentro dela. O árbitro foi na do brasileiro, marcou o pênalti e expulsou o defensor. Na cobrança, Rivaldo cobrou no canto e virou o marcador, definindo o placar do jogo.
Após a estreia complicada, a Seleção teve um pouco mais de facilidade na segunda rodada. Afinal, a adversária era a China, estreante no torneio. Logo no começo do jogo, Roberto Carlos soltou um foguete em cobrança de falta e abriu o marcador com a sua marca registrada. Depois, Ronaldinho Gaúcho deu belo passe para Rivaldo marcar o segundo. Antes do intervalo, Ronaldo foi agarrado na área. Pênalti, que Ronaldinho Gaúcho cobrou e converteu. No segundo tempo, Cafu fez boa jogada pela direita e cruzou rasteiro para Ronaldo fechar a goleada.
Seleção teve 100% de aproveitamento na fase de grupos – Foto: Reprodução
Já classificado, o Brasil entrou com algumas alterações para encarar a Costa Rica, em um jogo muito movimentado. Logo aos dez minutos, Edílson cruzou rasteiro para Ronaldo, que dividiu com o zagueiro Marín e abriu o placar. Três minutos depois, o atacante ficou com a bola em cobrança de escanteio e chutou no canto para fazer o segundo. Ainda na primeira etapa, Edmílson apareceu no ataque e acertou um lindo voleio após cruzamento de Júnior. Porém, no minuto seguinte, Wanchope tabelou na entrada da área e chutou rasteiro para descontar. No começo do segundo tempo, os Ticos marcaram mais um, com Gómez, de cabeça. Só que a Seleção conseguiu reagir bem e Júnior e Rivaldo fecharam o marcador.
Confrontos dramáticos no mata-mata
Na fase eliminatória, o Brasil teve um caminho difícil até chegar à final. Primeiro, contra a Bélgica, quando Marcos teve muito trabalho. Os belgas chegaram a abrir o marcador com Marc Wilmots, mas a arbitragem anotou falta em Roque Júnior. No segundo tempo, a Seleção conseguiu espantar a pressão. Ronaldinho cruzou na entrada área e Rivaldo dominou no peito, girou e chutou para marcar um golaço. Já na reta final de jogo, Kleberson, que havia virado titular nesta partida, cruzou e Ronaldo fechou o placar.
Porém, nas quartas, o trabalho era maior, contra a favorita Inglaterra. Aos 23 minutos, Lúcio vacilou e Owen aproveitou para abrir o marcador. Apesar da pressão inglesa, o Brasil conseguiu empatar antes do intervalo. Em contra-ataque puxado por Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo recebeu na área e chutou colocado no canto. Logo no começo do segundo tempo, veio a magia do “Bruxo”, que cobrou falta na área, encobriu Seaman e marcou um golaço, gerando a dúvida se ele queria cruzar ou chutar. Entretanto, sete minutos depois, a trama ganhou um novo capítulo, após ser expulso por uma entrada violenta em Mills. Mesmo com um a menos, a Seleção não sofreu muito e conseguiu a classificação.
Por fim, na semifinal, veio a Turquia, mesma adversária da estreia. Para a partida, Ronaldo surgiu com um corte novo, no estilo “Cascão”. O Brasil até criava mais oportunidades, mas parava nas defesas de Rüştü. Com as dificuldades, surgiu o biquinho do Fenômeno. Logo no começo do segundo tempo, o atacante invadiu a área pela esquerda e chutou no canto para marcar o gol da classificação brasileira.
A consagração de Ronaldo
Igualando o feito da Alemanha Ocidental, nos anos 80, o Brasil chegou à sua terceira decisão de Mundial seguido. Os europeus tinham o desfalque do seu principal jogador, Ballack, suspenso pelo segundo amarelo. Contudo, a primeira etapa de partida foi mais truncada, com poucas chances reais de gol, sem os goleiros fazerem grandes defesas. Minutos antes do intervalo, Kleberson teve a grande oportunidade de abrir o placar, acertando o travessão.
No segundo tempo, a Alemanha começou assustando, em cobrança de falta de Neuville, que Marcos defendeu e ainda contou com a ajuda da trave. Os alemães ainda chegaram a assustar mais algumas vezes, sem sucesso. Entretanto, o Brasil conseguiu aproveitar e abrir o marcador. Ronaldo recuperou bola no ataque e tocou para Rivaldo, que finalizou. Oliver Kahn, que havia sido eleito o melhor jogador da Copa antes do jogo, não segurou e o atacante aproveitou para fazer o primeiro. Por fim, doze minutos depois, Kleberson arrancou pela direita, deu passe no meio, Rivaldo fez o corta-luz e Ronaldo bateu no canto, para marcar o segundo, garantir o penta e deixar todo o pesadelo do ciclo para trás.
Como a partida aconteceu pela manhã, o domingo foi de muita festa no Brasil, com as ruas ocupadas por todo o país. Inclusive, a festa dos jogadores foi transmitida pela televisão, direto dos vestiários e do ônibus em Yokohama. No retorno ao país, a Seleção desembarcou em Brasília, sendo recebida pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, Vampeta entrou para a história, ao dar uma cambalhota da rampa do Palácio do Planalto. Até aqui, ninguém superou o Brasil, que é o único pentacampeão do mundo, e o hexa ainda não veio.
Jogadores convocados
Goleiros:
Marcos – Palmeiras
Dida – Corinthians
Rogério Ceni – São Paulo
Laterais
Cafu – Roma (ITA)
Belletti – São Paulo
Roberto Carlos – Real Madrid (ESP)
Júnior – Parma (ITA)
Zagueiros
Lúcio – Bayer Leverkusen (ALE)
Roque Júnior – Milan (ITA)
Edmílson – Lyon (FRA)
Anderson Polga – Grêmio
Meias:
Gilberto Silva – Atlético Mineiro
Kleberson – Athletico Paranaense
Ricardinho – Corinthians
Rivaldo – Barcelona (ESP)
Ronaldinho Gaúcho – PSG (FRA)
Vampeta – Corinthians
Juninho Paulista – Flamengo
Kaká – São Paulo
Atacantes:
Ronaldo – Internazionale (ITA)
Edílson – Corinthians
Denílson – Betis (ESP)
Luizão – Grêmio
Ficha técnica
Campeão: Brasil
Vice-campeã: Alemanha
Final: Brasil 2 x 0 Alemanha
Artilheiros: Ronaldo (Brasil) – sete gols
Colocação do Brasil: 1º lugar
Resultados do Brasil: Brasil 2 x 1 Turquia | Brasil 4 x 0 China | Brasil 5 x 2 Costa Rica | Brasil 2 x 0 Bélgica | Brasil 2 x 1 Inglaterra | Brasil 1 x 0 Turquia | Brasil 2 x 0 Alemanha









