Copa do Mundo

Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1998

Empolgada pelo título nos Estados Unidos, Brasil chegou como favorito para o Mundial, liderado por Ronaldo, mas perdeu na decisão

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Jogada10
04/06/2026, 07:30
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Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1998

Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1998

Quatro anos depois do tetra, o Brasil iniciou o sonho do pentacampeonato, para aumentar sua hegemonia na Copa do Mundo. Depois de um ciclo muito bom, com jogadores que brilharam no futebol internacional, a Seleção chegou à França em 98 com o favoritismo para conquistar o título. Porém, na decisão, problemas externos aconteceram e os brasileiros caíram para os donos da casa.

Com a saída de Parreira para o Valencia, o então coordenador técnico da Seleção, Zagallo, reassumiu o cargo de treinador após duas décadas. Sem precisar disputar as Eliminatórias, por ser o atual campeão, o Brasil pôde se preparar durante o ciclo, participando apenas das competições continentais.

Em 95, terminou com o vice-campeonato da Copa América, perdendo para o Uruguai na final. Porém, dois anos depois, conquistou o título do torneio na Bolívia. No final de 97, a Seleção participou da recém-criada Copa das Confederações, na Arábia Saudita, e ficou com o título, goleando a Austrália na final.

Ronaldo e Romário brilharam na Copa das Confederações, mas não atuaram juntos no Mundial – Foto: Divulgação/FIFA

Nas duas conquistas, principalmente na segunda, brilhou a estrela de Romário e Ronaldo. A dupla fez uma grande parceria no ataque e fazia os torcedores sonharem em como a parceria poderia aparecer na Copa. Afinal, o primeiro havia sido o herói do tetra e melhor do mundo naquele ano. Por outro lado, o segundo já era realidade depois de participar do Mundial de 94, havia sido eleito duas vezes seguidas o melhor do mundo, e era a grande aposta para a conquista do penta.

Entretanto, a dupla não chegou a atuar junta na França. Afinal, Romário sofreu uma lesão muscular na panturrilha direita, no início da preparação para a Copa, e foi cortado. Na época, o atacante afirmou que estaria à disposição no torneio e que ficou de fora por conta de um problema com Zico, então coordenador técnico. Inclusive, o Baixinho chegou a voltar para o Brasil para disputar um amistoso pelo Flamengo, querendo mostrar que tinha condições de jogo. Porém, teve que ser substituído ao longo da partida.

Com isso, a convocação de Zagallo contou com sete remanescentes do tetracampeonato: Taffarel, Aldair, Dunga, Bebeto, Cafu, Leonardo e Ronaldo. Os quatro primeiros haviam atuado na Copa de 90 e iam para o seu terceiro Mundial. Inclusive, essa foi a primeira vez no torneio que o Brasil levou mais jogadores que atuavam no exterior do que no próprio país.

Fase de grupos

O Brasil não demorou muito tempo para abrir o marcador. Logo aos três minutos, Bebeto cobrou e César Sampaio, com o ombro, marcou. Porém, o volante acabou derrubando Gallacher na área. Pênalti, que Collins converteu e empatou o jogo. A Seleção teve chances de marcar o segundo, com Ronaldo e Roberto Carlos, que pararam no goleiro Leighton. Entretanto, o gol da vitória veio no segundo tempo. Dunga lançou Cafu na direita, que chutou cruzado para a defesa do arqueiro, mas a bola explodiu em Boyd, que fez contra, e definiu o placar do jogo.

No segundo confronto, duelo contra o Marrocos, desta vez mais tranquilo. Nos minutos iniciais, Leonardo chegou a abrir o placar, mas estava impedido. Porém, não demorou muito para Ronaldo receber de Rivaldo e marcar o seu primeiro gol em Copas. Ainda no primeiro tempo, Cafu recebeu na direita e cruzou rasteiro para Rivaldo marcar o segundo. Depois, na segunda etapa, Ronaldo recuperou a bola na esquerda, passou pela marcação e tocou para Bebeto marcar o terceiro. Entretanto, o jogo ficou marcado por um desentendimento de Dunga com Bebeto, no qual o capitão chegou a dar uma cabeçada no atacante.

Brasil venceu dois jogos e perdeu um na fase de grupos – Foto: Reprodução/FIFA

Por fim, no encerramento da fase de grupos, o Brasil encarou a Noruega, já classificado. Mesmo com força máxima, a Seleção teve um jogo difícil e equilibrado. Afinal, os noruegueses precisavam da vitória para se classificar. O primeiro gol só veio aos 33 minutos do segundo tempo, quando Denílson cruzou na área e Bebeto deu um peixinho para marcar. Porém, cinco minutos depois, Tore André Flo ganhou de Júnior Baiano e chutou cruzado para empatar. Na sequência, o zagueiro puxou o atacante na área. Pênalti, que Rekdal cobrou e converteu para decretar a vitória europeia e a primeira derrota brasileira na fase de grupos desde 66.

Goleada e tensão

Nas oitavas de final, o Chile era o adversário, sem dar muitas dificuldades. Logo no começo do jogo, Dunga cobrou falta e César Sampaio para marcar. Depois, o volante aproveitou sobra de cobrança de falta de Roberto Carlos para fazer o segundo. Ainda no primeiro tempo, Ronaldo foi derrubado pelo goleiro Tapia. Pênalti, que o atacante cobrou e converteu. No começo do segundo tempo os chilenos descontaram com Salas, aproveitando rebote de Taffarel em cabeçada de Zamorano. Entretanto, Denílson tabelou com Rivaldo e lançou Ronaldo, que saiu na cara do goleiro e marcou o quarto, fechando a goleada e a classificação.

Porém, a facilidade não apareceu nas quartas de final, contra a Dinamarca. Logo aos dois minutos, os dinamarqueses cobraram falta rápido, Laudrup cruzou rasteiro e Jørgensen apareceu para marcar. Por outro lado, a resposta brasileira não demorou. Oito minutos depois, Ronaldo deu passe açucarado para Bebeto, que chutou da entrada da área e empatou. Ainda na primeira etapa, o atacante deu mais uma assistência, desta vez para Rivaldo, que bateu cruzado para virar.

Entretanto, logo no começo do segundo tempo, a Dinamarca empatou. Roberto Carlos tentou afastar de bicicleta e furou. A bola sobrou para Laudrup, que não perdoou. Contudo, o dia era de Rivaldo. O camisa 10 recebeu na entrada da área, arriscou um chute rasteiro forte e acertou o canto, para marcar o terceiro e decretar a classificação brasileira.

Mais uma vez, Brasil teve que passar pela Holanda para chegar à final – Foto: Divulgação/FIFA

Sai que é sua Taffarel!

Na semifinal, mais um reencontro contra a Holanda, em um dos jogos mais eletrizantes da Copa. Com chances para os dois lados, o primeiro tempo terminou sem gols. Porém, logo no começo da segunda etapa, Rivaldo deu belo passe para Ronaldo, que chutou por baixo de Van der Sar, abrindo o marcador. O jogo seguiu lá e cá e o Brasil teve a grande chance de sacramentar a classificação, quando Ronaldo invadiu a área, mas demorou para tomar a decisão e mandou para fora. Contudo, aos 42 minutos, Kluivert subiu sozinho no meio da área e cabeceou para empatar.

A decisão foi para a prorrogação, que funcionava no formato de gol de ouro. Contudo, os dois lados tiveram a chance para garantir a vaga na final. A mais perigosa veio com Kluivert, em chute cruzado, que passou na frente da trave de Taffarel. Do outro lado, a defesa holandesa fechou os espaços e a Seleção não conseguiu ter tantas oportunidades.

Com isso, mais uma disputa de pênaltis no caminho do Brasil. Ronaldo, Frank de Boer, Rivaldo, Bergkamp e Emerson começaram marcando. Na terceira cobrança apareceu a estrela de Taffarel, que defendeu a cobrança de Cocu. Dunga marcou o seu. Por fim, o goleiro apareceu mais uma vez, desta vez contra Ronald de Boer, garantindo a classificação brasileira.

Mais uma vez, Seleção caiu para a França em uma Copa – Foto: Reprodução

Susto com Ronaldo e derrota na final

A final da Copa seria contra os donos da casa. A França disputava a decisão pela primeira vez e estava empolgada com a chance do primeiro título. Porém, antes da partida, o Brasil divulgou uma escalação sem a presença de Ronaldo, com Edmundo de titular. O craque havia sofrido uma convulsão, perdeu a consciência e passou três horas em um hospital de Paris. Entretanto, após a divulgação dos exames e a insistência do jogador, os médicos decidiram liberar o atacante para o jogo, sendo confirmado na final 50 minutos antes do apito inicial.

Abatida, a Seleção não conseguiu se encontrar no jogo e viu a França criar as melhores oportunidades. Aos 27 minutos, Petit cobrou escanteio na área e Zidane apareceu para cabecear e marcar. A cena se repetiu nos acréscimos, com levantamento de Djorkaeff e mais um gol de Zizou. Na segunda etapa, Denílson veio para o jogo, mas o Brasil pouco conseguiu criar no ataque. A melhor chance veio com o próprio atacante, que, nos minutos finais, acertou o travessão. Ainda deu tempo de Vieira dar passe para Petit marcar o terceiro e fechar o marcador em 3 a 0.

Além do vice-campeonato, a derrota foi a maior até então do Brasil em uma Copa do Mundo. Após o jogo, surgiram teorias da conspiração sobre a ausência e a entrada de Ronaldo no jogo. Uma delas, que contou com a divulgação de Edmundo, sugeriu que o atacante disputou a final por conta de uma imposição da Nike. Inclusive, no Brasil, até uma CPI surgiu na Câmara dos Deputados para investigar o caso. O certo é que a derrota causou um abatimento no sentimento e na confiança brasileira desta geração.

Jogadores convocados

Goleiros:
Taffarel – Atlético Mineiro
Carlos Germano – Vasco
Dida – Cruzeiro

Laterais
Cafu – Roma (ITA)
Zé Carlos – São Paulo
Roberto Carlos – Real Madrid (ESP)
Zé Roberto – Flamengo

Zagueiros
Aldair – Roma (ITA)
Júnior Baiano – Flamengo
Gonçalves – Botafogo
André Cruz – Juventus (ITA)

Meias:
César Sampaio – Yokohama Flügels (JAP)
Dunga – Júbilo Iwata (JAP)
Emerson – Bayer Leverkusen (ALE)
Rivaldo – Barcelona (ESP)
Doriva – Porto (POR)
Leonardo – Milan (ITA)

Atacantes:
Ronaldo – Internazionale (ITA)
Giovanni – Barcelona (ESP)
Denílson – Betis (ESP)
Bebeto – Botafogo
Edmundo – Fiorentina (ITA)

Ficha técnica

Campeão: França
Vice-campeã: Brasil
Final: França 3 x 0 Brasil
Artilheiros: Davor Šuker (Croácia) – seis gols
Colocação do Brasil: 2º lugar
Artilheiros do Brasil: Ronaldo – quatro gols
Resultados do Brasil: Brasil 2 x 1 Escócia | Brasil 3 x 0 Marrocos | Brasil 1 x 2 Noruega | Brasil 4 x 1 Chile | Brasil 3 x 2 Dinamarca | Brasil 1 (4) x (2) 1 Holanda | Brasil 0 x 3 França

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