Calos nos pés e até brilho do celular: o que está incluso na avaliação de atletas?
Analista de desempenho e mercado, Marcelo Xavier explicou ao SBT Sports sobre as práticas adotadas no dia a dia dos jogadores

O técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, viralizou nas redes sociais ao expor, em entrevista ao Canal 11, o controle do sono de seus atletas. A prática pouco conhecida entre torcedores trouxe uma enxurrada de elogios ao português. Mas o analista de desempenho e mercado Marcelo Xavier explicou ao SBT Sports que a ação é rotineira no futebol brasileiro, tanto na elite quanto nas divisões inferiores.
"Os clubes trabalham com departamento de saúde, não mais só o médico. Vem desde a coordenação científica, medicina, fisioterapia, nutrição, psicologia, podologia e pedagogia. O mais importante é, depois dos dados, desenvolver processos para ter um atleta mais pleno. Não é uma coisa só da elite do futebol, é uma coisa do futebol brasileiro, existe praticamente em todos os lugares. Só que alguns têm mais profissionais do que outros, mas todos têm", explicou Marcelo, que tem passagens por clubes como Flamengo, Botafogo, Atlético-MG e Vitória
? Os cuidados de Abel Ferreira e sua comissão com a qualidade de sono, recuperação e bem estar dos jogadores do Palmeiras fazem parte da rotina para buscar o melhor resultado dentro de campo.
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Professor da CBF Academy e do curso de pós-graduação em futebol da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcelo afirmou que até a densidade do colchão é medida e adaptada para cada atleta, de acordo com o peso e tamanho.
"É importante tentar controlar a carga horária de sono, o ambiente, o nível de luminosidade, a densidade do colchão, do travesseiro, para adequar à altura do atleta, a temperatura e umidade do quarto. Controlar o ambiente do sono. Estudos mostram a importância do controle de luminosidade, até do smartphone. Tem coisa que já acontece há pelo menos dez anos. Não estamos vivendo nada que nunca tenhamos visto. Isso não é inédito", disse.
Para o fator sono, a variação dos horários das diversas partidas ao longo do mês também gera um desequilíbrio. "Quando acaba a partida, o corpo do atleta entende que o dia está começando, então ele vai dormir às vezes 4h, 5h, 6h da manhã. A relação entre saúde e desempenho tem que ser cuidada. Você acaba depredando sua saúde buscando um desempenho que pode não ser possível", explicou.
"A relação entre saúde e desempenho tem que ser cuidada. Você acaba depredando sua saúde buscando um desempenho que não é possível. No Real Madrid, quando os jogos não são na Espanha, o time levava uma carreta com colchões dos atletas. E isso foi implantado de certa maneira no CT do Palmeiras pelo Altamiro Bottino. O estado de prontidão (pós-jogo) gera um efeito tão grande que pode desencadear até problemas mentais", complementou.
Mas muito além do sono, o futebol profissional e de base, no Brasil, controla desde aspectos físicos particulares, como a quantidade de calos nos pés, até os assuntos mais pessoais, os quais são contados apenas para psicólogos e assistentes sociais.
"É medida a frequência cardíaca, a ingestão de substâncias como álcool e cafeína, níveis de hidratação, sensação térmica, marcadores bioquímicos para detectar a fibra muscular, a temperatura da musculatura para analisar inflamações, a densidade da grama, os calos nos pés de acordo com as chuteiras e cravos, GPS medindo volume e intensidade da corrida", afirmou.
Para Marcelo, a sensação do público de novidade ao ver o vídeo do Abel Ferreira passa pela ineficiência dos clubes de futebol em mostrar seus trabalhos nos bastidores, já que isso faz parte da rotina dos profissionais de saúde e dos atletas.
"Esses processos são mal divulgados pelos clubes e mal verbalizados pelos treinadores. O torcedor tem interesse em saber o que acontece nos bastidores do jogo. Isso interfere nas escalações, substituições e é pouco falado. Os clubes poderiam apresentar isso para a comunidade de forma geral", opinou.









