SBT Sports

"Banimento do futebol só ocorre quando há reincidência", alerta advogado

Especialista em direito desportivo, Eduardo Carlezzo comentou sobre gravidade do escândalo envolvendo manipulação de apostas esportivas

Imagem da noticia "Banimento do futebol só ocorre quando há reincidência", alerta advogado
"Banimento do futebol só ocorre quando há reincidência", alerta advogado
• Atualizado em

"Grave" e "extremamente preocupante". Foi assim que Eduardo Carlezzo, advogado especializado em direito desportivo, classificou o escândalo envolvendo a manipulação de apostas esportivas nas Séries A e B do Campeonato Brasileiro.

"Os fatos apurados até o momento são graves e são extremamente preocupantes, pois envolvem inúmeras partidas das duas principais competições do futebol brasileiro, inúmeros jogadores e mostram claramente uma organização criminosa atuando nos bastidores para corromper atletas e corromper resultados esportivos", afirmou Carlezzo, ao SBT Sports.

"Infelizmente, a pena de banimento do futebol só é aplicável quando há reincidência, ou seja, mais de uma ocorrência. Quando houver apenas uma ocorrência, o atleta poderá levar uma suspensão de até dois anos no futebol", complementou.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, anunciou nesta quarta-feira (10) que a Polícia Federal (PF) vai investigar o esquema criminoso. Até o momento, 16 pessoas estão sendo investigadas, sendo sete jogadores.

O pedido para que a PF participe das investigações do caso partiu da própria CBF. A entidade máxima do futebol brasileiro se incluiu como vítima do crime e comunicou, em nota, que não pretende suspender a atual edição do Campeonato Brasileiro.

"É necessário que o Estado não só aplique as sanções cabíveis que estão previstas no Estatuto do Torcedor e que pode levar esses jogadores a uma pena de reclusão de dois a seis anos, mas também que a Justiça Desportiva atue em sintonia e aplique dentro da esfera do futebol as penas cabíveis", finalizou Carlezzo.

Mariana Chamelette, especialista em Direito Desportivo, Compliance e Integridade no Esporte, e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo, defende a criação de uma entidade nacional centralizada no combate à manipulação de resultados.

"Para se combater a manipulação de resultados, é imprescindível que se entenda tal fenômeno e que se atue de maneira integrada. Por isso, vejo como oportuna a criação de uma entidade nacional centralizada, como único ponto de contato em questões relacionadas à manipulação de resultados, de maneira a simplificar o intercâmbio de dados relacionados às apostas esportivas, inclusive em âmbito transnacional, e conectar de maneira eficaz as entidades de administração e prática desportiva, operadores de apostas e agências governamentais de aplicação da lei", afirmou Chamelette.

"Apesar do grande esforço de algumas entidades de administração do desporto como a Federação Paulista de Futebol e a própria CBF, apenas poucos recursos governamentais são dedicados atualmente para combater a manipulação de resultados no futebol brasileiro. Mas, considerando o cenário atual, crê-se haver chegado o momento de as entidades privadas e governamentais começarem a empreender esforços conjuntos em uma abordagem adequada e mais sofisticada", acrescentou.

Publicidade
Publicidade

Últimas Notícias

Publicidade
Publicidade