Irianiano comemora eliminação do Irã na Copa e acaba assassinado
Torcedor foi morto a tiros por uma das forças de segurança do país; vítima era amigo de volante da seleção do Irã

A opressão dos últimos meses segue no Irã durante a Copa do Mundo. Na última terça-feira (29), um torcedor iraniano foi morto por comemorar a eliminação do país no Mundial do Catar. Alvejado por tiros de uma das forças de segurança do país, a vítima do assassinato era amigo do volante Saeid Ezatolahi, um dos destaques da seleção local na disputa da Copa.
O homem assassinado foi Mehran Samak. Contente pela eliminação do país no torneio, o torcedor saiu pelas ruas da cidade Bandar Anzali, de carro, para realizar um buzinaço. De acordo com o grupo Iran Human Right, Mehran Samak foi atingido na cabeça por uma das polícias locais.
Mais um dos inúmeros casos da opressão no país, a morte do torcedor atingiu diretamente o volante Saeid Ezatolahi, titular do Irã na Copa do Mundo. Mehran Samak era amigo do jogador da seleção e cresceu com Ezatolahi, dividindo os gramados com o atleta em um pequeno clube local na infância. O camisa 6 se manifestou nas redes sociais sobre a morte do amigo.
"Gostaria que pudéssemos ser crianças para sempre. Sem lutas, sem ódio, sem inveja, sem brigar para derrubar o outro. Há muito a dizer, meu companheiro de equipe. Mas, infelizmente, as pessoas hoje em dia estão se afogando em tanta inveja e tumulto que é difícil ou impossível encontrar um par de ouvidos para escutar", escreveu o volante.
Saeid Ezatolahi shares on his Instagram story that his childhood teammate was killed by authorities last night after the conclusion of the match:
? Gol Bezan (@GolBezan) November 30, 2022
"I wish we could stay at that age forever.
Without struggles, without hatred, without envy, [cont'd] pic.twitter.com/xHce8r64OX
"Depois da amarga derrota da última noite, a notícia de sua morte incendiou meu coração. Mesmo agora, escrevendo essa mensagem, ainda não dormi. Mas, velho amigo, você deve saber que a cada dia há menos humanidade nesse mundo. Há apenas um monte de pessoas vazias com máscaras, que pisam nos outros para conseguir o que querem. Mas tenha certeza de que, no dia em que essas máscaras caírem e a verdade sobre essas pessoas for revelada, eles terão que responder à sua família e à dor de sua mãe. Condolências à sua querida família. Não é isso o que nossa juventude merece, não é isso o que meu Irã merece", completou Ezatolahi.
A situação social no Irã se agravou desde a morte da jovem Mahsa Amini, assassinada em setembro por descumprir uma regra de vestimenta local. Milhares de iranianos realizaram protestos nos últimos meses, inclusive na Copa do Mundo, em que uma mulher foi impedida de se manifestar em uma partida da seleção árabe.
Os episódios opressivos do Irã foram acompanhados de perto ainda pela apresentadora do SBT Domitila Becker. Presente na eliminação da equipe na Copa do Mundo, a jornalista foi vítima de agressão de iranianos durante uma cobertura jornalística sobre a situação social do país. O relato de Domitila Becker foi chocante e viralizou nas redes sociais.









