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HRW critica Fifa por fiscalização dos direitos humanos no Catar: "Tem sido péssima"

Human Rights Watch reforçou importância do papel que seleções terão ao chamar atenção do planeta sobre problemas de direitos humanos no país-sede da Copa

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HRW critica Fifa por fiscalização dos direitos humanos no Catar: "Tem sido péssima"
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A violação dos direitos humanos no Catar, país-sede da Copa do Mundo, tem incomodado treinadores de seleções nacionais. Caso de Gareth Southgate e Louis van Gaal, técnicos da Inglaterra e Holanda, respectivamente. Ambos externaram, na semana passada, seus anseios em relação ao cumprimento dos direitos humanos no país da península árabe. O SBT Sports entrou em contato com a organização internacional de direitos humanos Human Rights Watch (HRW), que criticou a Fifa pela fiscalização da proteção e promoção dos direitos humanos no Catar. Para a HRW, o trabalho que a entidade máxima do futebol tem feito é péssimo.

"Até agora, a Fifa tem sido um péssimo administrador de proteção e promoção dos direitos humanos no Catar, e a Human Rights Watch, há anos, documenta graves abusos contra trabalhadores migrantes que carregam o fardo de preparar o Catar para sediar a Copa do Mundo. Esses abusos graves do passado, incluindo mortes inexplicáveis de trabalhadores, não podem ser desfeitos. No entanto, é fundamental que as autoridades da Fifa e do Catar se comprometam a cuidar dos trabalhadores migrantes e suas famílias que perderam suas vidas e meios de subsistência", disse a organização.

"Existem várias preocupações sérias com os direitos humanos no Catar, que são especialmente importantes para se ter em mente enquanto fazemos a contagem regressiva para o início da Copa do Mundo da Fifa. Os trabalhadores migrantes enfrentam sérios abusos devido ao sistema kafala, um sistema restritivo de governança trabalhista, usado em toda a região do Golfo Árabe. Esse sistema abusivo está no centro da maioria dos abusos e da exploração que os trabalhadores migrantes enfrentam. Em alguns casos, pode equivaler à escravidão moderna, e o sistema concede aos empregadores poder e controle desproporcionais sobre a imigração e o status de emprego dos trabalhadores migrantes e, portanto, suas vidas", complementou.

A HRW também chamou atenção para a violação dos direitos da comunidade LGBTQIA+ no país-sede da Copa. Isso porque é crime ser homossexual no Catar. Em seu discurso, o técnico da Inglaterra lamentou que torcedores e torcedoras temam ir à Copa do Mundo por se sentirem inseguros. A organização do Mundial, por outro lado, garante que os homossexuais serão bem-vindos.

"Não são apenas os trabalhadores migrantes que correm o risco de enfrentar graves abusos no Catar. A Human Rights Watch e outros grupos documentaram graves abusos contra as mulheres devido às regras de tutela masculina do Catar, e a HRW e grupos antidiscriminação expressaram separadamente sérias preocupações sobre as proteções LGBTQIA+ no Catar", declarou a entidade, que enfatizou a importância de as seleções se manifestarem sobre o tema:

"Seleções nacionais de futebol e associações de futebol têm um papel incrivelmente importante a desempenhar, pois têm uma tremenda influência na Fifa, no Catar e nos fãs de futebol globais. E especialmente para o time de futebol do Brasil, com sua história, torcida internacional e talentos de superestrelas. Eles poderiam fazer uma grande diferença se pedissem publicamente para que os trabalhadores migrantes fossem atendidos, já que muitos enfrentaram sérias perdas, incluindo às vezes suas vidas, enquanto preparam o Catar para sediar a Copa do Mundo."

Escolha do país-sede

A Fifa justifica a escolha do país árabe como sede do Mundial para levar o futebol a novas fronteiras e, assim, desenvolvê-lo. Mas para o professor Reginaldo Nasser, do departamento de Relações Internacionais da PUC-SP, a escolha decorre do poder político, econômico e militar do Catar.

"O Catar é um país poderoso, tem petróleo, sistema financeiro, bases-militares norte-americanas. Ao mesmo tempo, consegue se relacionar bem com o Irã, teve problemas com a Arábia Saudita, tem influência sobre vários países árabes. Então, eu diria que ter a Copa do Mundo lá, é a consequência de um poder político, econômico e, inclusive, militar que eles têm", afirmou.

Nasser diz que a violação dos direitos humanos no Catar é real e não se trata de preconceito ou choque-cultural entre ocidente e oriente, mas alerta para o posicionamento "cínico" de alguns países da "elite ocidental".

"Tem exploração brutal em todas as monarquias do golfo. Eu diria que há cinismo e cumplicidade. As chamadas elites ocidentais convivem com isso por meio do mercado mundial e tratam muito bem o Catar.   O número de imigrantes no Catar é muito alto e eles vivem em péssimas condições. As elites ocidentais não tratam isso de forma isonômica, só interessa aquilo que eles querem falar sobre direitos humanos. O mais grave é que tem cumplicidade nisso. O Catar está inserido no mercado mundial. Os príncipes e os sheiks são muito bem tratados pelos países do ocidente", disse.

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