Copa do Mundo

Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 2006

Brasil chegou embalado, com um grande ciclo, jogadores no auge e muita expectativa. Porém, caiu nas quartas de final

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Jogada10
06/06/2026, 07:30
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Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 2006

Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 2006

Com craques no auge, jogadores desfilando no futebol internacional e o clima do pentacampeonato, era impossível não sonhar com o hexa do Brasil na Copa do Mundo de 2006. Entretanto, o sonho brasileiro acabou mais cedo que o esperado, em uma campanha marcada por uma preparação criticada e o sumiço de algumas das principais estrelas durante os jogos decisivos.

Após a conquista de 2002, Felipão deixou o cargo para assumir a seleção de Portugal. Em seu lugar, Carlos Alberto Parreira assumiu o cargo, tendo Zagallo como auxiliar. No ciclo, vieram conquistas emblemáticas, como a Copa América de 2004. Afinal, o Brasil utilizou um elenco alternativo, com jogadores buscano seu espaço na Seleção. Na decisão, perdia para a Argentina até os acréscimos do segundo tempo, quando Adriano empatou. Nos pênaltis, vitória brasileira contra o time principal dos hermanos.

No ano seguinte, o show brasileiro apareceu na Copa das Confederações. Sem Ronaldo, o Brasil passou apenas na segunda colocação de seu grupo. Entretanto, no mata-mata, brilhou a estrela do chamado “quadrado mágico”, com vitória contra a Alemanha na semifinal e goleada para cima da Argentina na decisão.

Conquista da Copa das Confederações em 2005 colocou o Brasil como grande favorito para a Copa – Foto: Divulgação/CBF

Nas Eliminatórias, uma campanha tranquila, terminando o primeiro turno de forma invicta. No segundo, derrotas para Equador e Argentina. Porém, isso não atrapalhou o ânimo da equipe, que garantiu vaga na Copa com três rodadas de antecedência, na goleada contra o Chile, em Brasília. Ali, se consolidava o “quadrado mágico”, com Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano. Havia pedidos para que o sistema virasse um pentágono, com a inclusão de Robinho, mas Parreira não queria deixar o time muito ofensivo.

Depois de muitos testes, Parreira definiu os 23 convocados com dez remanescentes do penta: Ronaldo, Cafu, Dida, Roberto Carlos, Rogério Ceni, Lúcio, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Gilberto Silva e Ricardinho. Os dois primeiros estavam com a Seleção desde 94 e igualavam a marca de Pelé, Castilho, Djalma Santos, Nilton Santos e Leão. Já Dida e Roberto Carlos disputavam o torneio pela terceira vez. Por outro lado, Emerson, cortado de última hora, e Zé Roberto, que não jogaram a Copa de 2002, retornavam após terem participado do vice em 98.

A Seleção realizou sua preparação para o torneio em Weggis, na Suíça. Entretanto, o que se via era um clima de festa. Afinal, a CBF fechou acordo com uma empresa que explorou comercialmente a presença brasileira na região, com direito a um carnaval fora de época, com a presença de Neguinho da Beija-Flor. Além disso, Ronaldo se apresentou fora de forma e havia relatos que alguns atletas não treinavam direito. Em campo, goleada contra a Nova Zelândia por 4 a 0 antes do Mundial.

Fase de grupos

Apesar de toda a expectativa, o Brasil não teve uma grande estreia no Mundial e sofreu contra a Croácia. A Seleção tinha muita dificuldade no campo de ataque e não contou com uma boa atuação de Ronaldo e Adriano. Quem teve que aparecer para resolver foi Kaká. Na reta final do primeiro tempo, o meia acertou um belo chute de fora da área e marcou um belo gol para decretar a vitória brasileira.

No segundo confronto o cenário se repetiu. Novamente o Brasil tinha dificuldade no campo de ataque e tinha dificuldades ofensivas para ameaçar a Austrália. A Seleção só conseguiu abrir o marcador no segundo tempo. Ronaldo recebeu de Ronaldinho Gaúcho e tocou para Adriano, que, da entrada da área, chutou rasteiro no canto. Depois disso, os Socceroos ficaram mais com a bola e a equipe de Parreira teve que recorrer aos contra-ataques. Desta forma, Fred aproveitou rebote de finalização de Robinho na trave e fechou o marcador, já nos acréscimos.

Apesar de ter grandes jogadores, Seleção não teve atuações convicentes na Copa – Foto: Divulgação/FIFA

Já classificado, o Brasil encarou o Japão com um time-misto na última rodada e teve sua melhor atuação. Os Samurais Azuis, comandados por Zico, até saíram na frente, com Tamada. Entretanto, no último lance do primeiro tempo, Ronaldinho Gaúcho crozou na área, Cicinho cabeceou para o meio e Ronaldo apareceu para marcar. No começo do segundo tempo, Juninho Pernambucano arriscou de longe e virou o marcador. Seis minutos depois, Ronaldinho lançou Gilberto pela esquerda, que invadiu a área e chutou cruzado para marcar o terceiro. Por fim, Ronaldo tabelou com Juan e bateu colocado no canto, fechando a goleada.

Ronaldo recordista

Nas oitavas de final, a adversária seria a estreante Gana. Na partida, Parreira voltou com a formação que havia iniciado os primeiros jogos e a Seleção fez um jogo pragmático. Entretanto, logo aos quatro minutos, Kaká deu lançamento para Ronaldo, que driblou o goleiro e abriu o marcador. Esse era o 15º gol do atacante em Copas, se tornando o maior artilheiro da história do torneio.

Ainda na primeira etapa, após contra-ataque, Kaká tocou para Cafu, que chutou cruzado para Adriano completar para as redes. Na segunda etapa, mais um lançamento do meio de campo, desta vez para Zé Roberto, que tocou por cima do goleiro e fechou o marcador. Apesar do bom resultado, a Seleção ficou devendo na atuação e acendeu um alerta para a fase seguinte.

Mais uma vez a França…

Nas quartas de final, a adversária era a França. Essa era a quarta vez que as seleções se enfrentavam no mata-mata do torneio, com o fantasma da final de 98 ainda rondando a Seleção. Se o clima era de revanche, não demorou muito para ficar para trás. Parreira optou por tirar Adriano e colocar Juninho Pernambucano, para fortalecer o meio. Não deu certo. Os Bleus dominaram a partida com uma grande atuação de Zidane. No segundo tempo, Roberto Carlos bobeou na marcação e Thierry Henry apareceu sozinho para marcar o gol da classificação francesa.

Henry marcou o gol que decretou a eliminação brasileira – Foto: Divulgação/FIFA

Eliminação e frustração daquele time que era considerado imbátivel. A Seleção sofreu diversas críticas, principalmente pela vaidade de seus jogadores e a busca por marcas individuais. Parreira deixou o cargo com reclamações de não renovar a equipe, além da manutenção de peças que eram consideradas mais velhas, como Cafu e Roberto Carlos.

Por fim, a França eliminou Portugal de Felipão e chegou a mais uma final. Porém, a Itália, que despachou os donos da casa, conquistou o seu tetracampeonato. Pela segunda vez, uma Copa foi decidida nos pênaltis, desta vez com um final feliz para a Azzurra. Inclusive, a decisão ficou marcada pela cabeçada de Zidane em Materazzi, já na prorrogação, no último ato de sua carreira.

Jogadores convocados

Goleiros:
Dida – Milan (ITA)
Rogério Ceni – São Paulo
Júlio César – Internazionale (ITA)

Laterais
Cafu – Milan (ITA)
Cicinho – Real Madrid (ESP)
Roberto Carlos – Real Madrid (ESP)
Gilberto – Hertha Berlim (ALE)

Zagueiros
Lúcio – Bayern de Munique (ALE)
Juan – Bayer Leverkusen (ALE)
Luisão – Benfica (POR)
Cris – Lyon (FRA)

Meias:
Emerson – Juventus (ITA)
Kaká – Milan (ITA)
Ronaldinho Gaúcho – PSG (FRA)
Zé Roberto – Bayern de Munique (ALE)
Gilberto Silva – Arsenal (ING)
Juninho Pernambucano – Lyon (FRA)
Mineiro – São Paulo
Ricardinho – Corinthians

Atacantes:
Ronaldo – Real Madrid (ESP)
Adriano – Internazionale (ITA)
Robinho – Real Madrid (ESP)
Fred – Lyon (FRA)

Ficha técnica

Campeã: Itália
Vice-campeã: França
Final: Itália 1 (5) x (3) 1 França
Artilheiros: Miroslav Klose (Alemanha) – cinco gols
Colocação do Brasil: 5º lugar (eliminado nas quartas de final)
Artilheiro do Brasil: Ronaldo – três gols
Resultados do Brasil: Brasil 1 x 0 Croácia | Brasil 2 x 0 Austrália | Brasil 4 x 1 Japão | Brasil 3 x 0 Gana | Brasil 0 x 1 França

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