Copa do Mundo

Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1994

Brasil superou ciclo conturbado e críticas ao estilo de jogo para encerrar o jejum de 24 anos e ficar com o tetracampeonato mundial

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Jogada10
03/06/2026, 07:30
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Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1994

Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1994

Depois de 24 anos, o Brasil enfim voltou a vencer um título mundial. Nos Estados Unidos, em 94, a Seleção entrou repleta de desconfiança pelo retrospecto ruim ao longo do ciclo e pelo estilo de jogo que não era tão convincente. Porém, com o brilho da dupla Romário e Bebeto, o torcedor brasileiro pôde soltar o grito de tetracampeão da Copa do Mundo, que estava guardado desde os anos 70.

No começo do ciclo, a CBF tentou copiar o modelo da Alemanha Ocidental. Afinal, os alemães haviam sido campeões da Copa de 90 com Franz Beckenbauer no comando. A expectativa era aliar a experiência em campo na área técnica, mesmo sem nenhum trabalho na função antes. Com isso, Paulo Roberto Falcão, que já atuava como comentarista esportivo, foi o escolhido para ser o técnico da Seleção. Entretanto, com apenas 48% de aproveitamento e o vice-campeonato na Copa América de 1991, o técnico deixou o cargo.

Em seu lugar, houve uma disputa entre Carlos Alberto Parreira e Vanderlei Luxemburgo, com o primeiro sendo o escolhido. O treinador comandou o Brasil, com uma equipe alternativa, na Copa América de 1993, sendo eliminado nas quartas de final para a Argentina, nos pênaltis. Nas Eliminatórias, estreou com um empate sem gols contra o Equador e perdeu para a Bolívia, fora de casa, por 2 a 0. Inclusive, essa foi a primeira derrota da Seleção em uma qualificatória.

Com o resultado, Parreira cogitou deixar o cargo, sendo sustentado pelas lideranças do elenco. Depois, trouxe o contestado Dunga e bateu a Venezuela, por 5 a 1. Porém, na sequência, um novo empate, desta vez com o Uruguai, em 1 a 1. Com isso, o Brasil terminou o primeiro turno dividindo a segunda colocação com Uruguai e Equador, correndo risco de ficar de fora da Copa.

Brasil só garantiu vaga na Copa na última rodada das Eliminatórias – Foto: Reprodução/CBF

No returno, em casa, goleou Bolívia e Venezuela. Porém, o Uruguai também venceu seus jogos e chegou empatado com o Brasil para a última rodada, com o fantasma de 50 rondando o Maracanã. Para o confronto decisivo, Parreira cedeu à pressão popular e convocou Romário, que não era chamado após um desentendimento em um amistoso em 92. Inclusive, em campo, o Baixinho resolveu, marcou duas vezes e garantiu a classificação brasileira.

Nos amistosos preparatórios, vitórias contra Argentina, Islândia, Honduras e El Salvador e empates diante o PSG e o Canadá. Na convocação, Parreira teve os cortes dos zagueiros Mozer e Ricardo Gomes, por conta de lesão. Por fim, a lista fechou com nove remanescentes da equipe de 90: Taffarel, Jorginho, Ricardo Rocha, Aldair, Dunga, Romário e Bebeto, além de Branco e Müller, que também estavam na campanha de 86 e disputavam o terceiro mundial. Quem também estava no elenco era o jovem Ronaldo, de apenas 17 anos, que já brilhava com a camisa do Cruzeiro.

Fase de grupos

Antes da bola rolar, a Seleção já teve alguns problemas extracampo, como a ida confirmada de Parreira, para o Valencia, após a Copa, e Romário reclamando publicamente da convocação de Müller. Na estreia contra a Rússia, Ricardo Rocha sofreu uma lesão e não jogou mais o torneio, mas seguiu com o grupo. Porém, a Seleção conseguiu a vitória. No primeiro tempo, Romário se antecipou à marcação em cobrança de escanteio de Bebeto e abriu o marcador. Depois, o Baixinho foi derrubado pela defesa russa na área. Pênalti, que Raí cobrou e converteu.

Na segunda partida, o adversário era Camarões, que havia surpreendido a Argentina na última Copa. Entretanto, o Brasil não deu chance para a zebra passear. Aos 39 minutos, Dunga recuperou a bola na intermediária e deu um belo lançamento de trivela para Romário, que invadiu a área e marcou. Já no segundo tempo, Jorginho cruzou na cabeça de Márcio Santos, que fez o segundo. Sete minutos depois, Romário invadiu a área outra vez, sendo desarmado pelo goleiro, mas no rebote Bebeto apareceu e marcou.

Seleção venceu dois jogos e empatou um na fase de grupos – Foto: Reprodução/FIFA

Porém, na última rodada, a situação ficou mais delicada. Contra a Suécia, o Brasil saiu atrás, em um belo gol de Andersson. Já no segundo tempo, Romário tabelou com Zinho e bateu de bico na entrada da área, para empatar o marcador. Contudo, a atuação brasileira gerou várias críticas ao time, principalmente pela falta de velocidade no meio de campo.

Dramas contra Estados Unidos e Holanda

Para o confronto das oitavas de final, contra os Estados Unidos, Parreira decidiu sacar Raí do time e colocar Mazinho. Porém, em campo, a atuação ainda não convenceu. A situação ficou ainda pior quando Leonardo acertou uma cotovelada em Tab Ramos e foi expulso. Inclusive, o jogador teve danos físicos por conta da jogada, voltando a atuar apenas em dezembro daquele ano. Apesar da desvantagem em campo, a Seleção conseguiu a vitória, com gol de Bebeto, após boa jogada individual de Romário, com a famosa declaração de “eu te amo” do camisa 7 para o camisa 11.

Nas quartas, contra a Holanda, a escalação foi mantida, exceto pela saída de Leonardo e a entrada de Branco. A partida foi considerada uma das melhores daquela Copa. Entretanto, os gols só vieram no segundo tempo. Aldair receperou bola na defesa e lançou Bebeto na esquerda, que cruzou para Romário marcar. Na sequência, Bebeto aproveitou bobeada da defesa holandesa, invadiu a área, driblou o goleiro e marcou o segundo, comemorando no estilo “balança neném”, em homenagem ao seu filho Mattheus, que havia nascido dois dias antes.

Romário foi decisivo na campanha brasileira – Foto: Reprodução/FIFA

Porém, no minuto seguinte, Bergkamp recebeu na área, ganhou da defesa e descontou. Não demorou muito para Winter subir sozinho após cobrança de escanteio e empatar o jogo para a Holanda. Entretanto, cinco minutos depois, Branco cobrou falta forte, Romário se esquivou da bola, e desempatou o jogo, garantindo a classificação para a semifinal.

A consagração de Romário e Taffarel

Mais uma vez, o Brasil iria encontrar a Suécia naquela Copa, desta vez na semifinal. Na partida, a Seleção pressionou bastante, mas não conseguia abrir o marcador. Inclusive, Mazinho desperdiçou uma chance sem goleiro. No segundo tempo, o capitão sueco Jonas Thern fez falta sem bola em Dunga e recebeu o cartão vermelho. Com um a mais, o Brasil encontrou o gol da classificação, com Romário, de cabeça, aparecendo no meio dos defensores adversários após cruzamento de Jorginho.

Depois de 24 anos, a Seleção estava novamente em uma final, mais uma vez contra a Itália, a vice de 70 e a carrasca de 82. Agora, quem vencesse, seria a primeira tetracampeã mundial. Em campo, Parreira fez um ajuste no posicionamento de Zinho, para não ceder espaço para o ataque italiano. A estratégia deu certo e, além de controlar a defesa, o Brasil também teve mais força ofensiva. Afinal, foram 24 finalizações brasileira contra sete italianas. Porém, nada de gols. Na melhor chance, Mauro Silva arriscou de fora da área, Pagliuca falhou e a bola bateu na trave, que recebeu um beijo do goleiro. Já na prorrogação, Romário reebeu cruzamento na pequena área e mandou para fora. Com isso, pela primeira vez, o título da Copa seria decidido nos pênaltis.

Brasil se tornou a primeira seleção tetracampeã mundial – Foto: Divulgação/FIFA

Nas penalidades, Baresi iniciou mandando para fora. Porém, Márcio Santos parou em Pagliuca. A Itália saiu na frente com Albertini, Romário empatou. Na sequência, Evani e Branco marcaram. Entretanto, na quarta cobrança, Taffarel defendeu cobrança de Massaro. Dunga fez sua parte e colocou o Brasil em vantagem. Por fim, Roberto Baggio, então melhor do mundo, foi para a última cobrança italiana e isolou, em um dos lances mais inesquecíveis das Copas. Após 24 anos, o torcedor brasileiro pôde soltar o grito de tetracampeão mundial.

A conquista ficou marcada pelas homenagens a Ayrton Senna, que havia falecido dois meses antes da final. Contudo, na chegada ao Brasil, muita festa nas ruas do Recife, com mais de um milhão e meio de pessoas nas ruas capital pernambucana. Depois, a Seleção foi recebida pelo presidente Itamar Franco, em Brasília. O título também marcou a redenção da “Era Dunga”, que ficou marcada pela campanha em 90.

Jogadores convocados

Goleiros:
Taffarel – Reggiana (ITA)
Zetti – São Paulo
Gilmar – Flamengo

Laterais
Jorginho – Bayern de Munique (ALE)
Cafu – São Paulo
Leonardo – São Paulo
Branco – Fluminense

Zagueiros
Ricardo Rocha – Vasco
Ronaldão – Shimizu S-Pulse (JAP)
Aldair – Roma (ITA)
Márcio Santos – Bordeaux (FRA)

Meias:
Dunga – Stuttgart (ALE)
Mauro Silva – Deportivo La Coruña (ESP)
Zinho – Palmeiras
Raí – PSG (FRA)
Paulo Sérgio – Bayer Leverkusen (ALE)
Mazinho – Palmeiras

Atacantes:
Bebeto – Deportivo La Coruña (ESP)
Romário – Barcelona (ESP)
Müller – São Paulo
Ronaldo – Cruzeiro
Viola – Corinthians

Ficha técnica

Campeão: Brasil
Vice-campeã: Itália
Final: Brasil 0 (3) x (2) 0 Itália
Artilheiros: Hristo Stoichkov (Bulgária) e Oleg Salenko (Rússia) – seis gols
Colocação do Brasil: 1º lugar
Artilheiros do Brasil: Romário – cinco gols
Resultados do Brasil: Brasil 2 x 0 Rússia | Brasil 3 x 0 Camarões | Brasil 1 x 1 Suécia | Brasil 1 x 0 Estados Unidos | Brasil 3 x 2 Holanda | Brasil 1 x 0 Suécia | Brasil 0 (3) x (2) 0 Itália

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