Copa do Mundo

Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1966

Com preparação criticada pela imprensa e mais uma lesão de Pelé no torneio, Brasil teve um dos seus piores desempenhos em Mundiais

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Jogada 10
27/05/2026, 07:30
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Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1966

Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1966

Embalado pelas conquistas de 58 e 62, o Brasil chegou à Inglaterra em 1966 na expectativa de se tornar a primeira tricampeã mundial da história. Entretanto, o desempenho foi muito abaixo do esperado, após uma preparação que recebeu diversas críticas. A Seleção repetiu o feito de 1930 e se despediu da Copa do Mundo na fase de grupos, um feito que até hoje não voltou a se repetir.

Mais uma vez, por conta do título na edição, o Brasil não precisou disputar as Eliminatórias. No ciclo, a Seleção foi comandada por Aymoré Moreira, que disputou o Sul-Americano de 1963, na Bolívia, com uma equipe alternativa, terminando na quarta colocação.

Entretanto, perto do Mundial, Vicente Feola voltou ao cargo, para a crítica de alguns dirigentes, como Paulo Machado de Carvalho, que deixou a chefia da delegação após o sucesso nas Copas anteriores. Para a preparação, 47 atletas foram convocados, o que causou críticas da imprensa. Afinal, havia o entendimento que nem todos os jogadores tinham condição de estar no Mundial, o que atrapalharia os treinos. O elenco ficou treinando por um mês e meio no Rio de Janeiro e no interior de Minas, até a lista final.

Por fim, entre os 22 convocados, estavam seis remanescentes do bicampeonato: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Zito, Pelé e Garrincha. Inclusive, Djalma igualou a marca de Castilho e Nilton Santos, disputando seu quarto Mundial. Além disso, Altair, que estava na Seleção em 62, também foi convocado. Depois de 16 anos, a lista também tinha atletas que atuavam fora do Rio e São Paulo, com as convocações de Alcindo e Tostão, de Grêmio e Cruzeiro, respectivamente.

Entretanto, as polêmicas seguiram. Cortado da lista final, o zagueiro Djalma Dias acabou dizendo que Bellini só estava sendo convocado por conta do “saudosismo” na Confederação Brasileira de Desportos (CBD). Neste clima conturbado, o Brasil embarcou para disputar a Copa.

Brasil chegou à Inglaterra entre os favoritos, mas decepcionou na Copa – Foto: Divulgação/FIFA

Decepção e eliminação na primeira fase

Na estreia, a Seleção reencontrou Rudolf Vytlačil, treinador da Tchecoslováquia na Copa de 62, agora no comando da Bulgária. Em campo, a Seleção abriu o marcador aos 15 minutos, em cobrança de falta de Pelé. No segundo tempo, Garrincha, também de falta, acertou o ângulo e fechou o placar. Ninguém ali sabia, mas aquela era a última vez que a dupla atuaria junta no torneio.

Afinal, Pelé foi caçado em campo pelos búlgaros e ficou de fora da partida contra a Hungria. Tostão substituiu o Rei, mas não foi o suficiente. Os húngaros abriram o marcador logo aos dois minutos, com Bene. O jogador do Cruzeiro chegou a descontar, ainda no primeiro tempo. Porém, no segundo tempo, Farkas e Mészöly, de pênalti, decretaram a derrota brasileira, a primeira em Copas desde a eliminação em 1954.

Para não cair na fase de grupos, a Seleção precisava vencer Portugal, estreante no torneio e líder do grupo. Feola promoveu nove mudanças no time, incluindo o retorno de Pelé e a saída de Garrincha. Em campo, o Rei não conseguiu fazer muita coisa, sendo mais uma vez perseguido pelos seus marcadores. Aos 15 minutos, António Simões abriu o placar. Doze minutos depois, Eusébio apareceu para fazer o segundo. No segundo tempo, Rildo chegou a descontar para o Brasil. Porém, o artilheiro daquele Mundial apareceu novamente para marcar o terceiro e sacramentar a eliminação brasileira.

Essa foi apenas a segunda vez que o atual campeão caiu na fase de grupos. Anteriormente, a Itália havia sido eliminada em 1950. A campanha se tornou uma das piores do Brasil em Copas, igualando em 1930 e 1934, quando a Seleção também não passou de fase. Por fim, com uma vitória e duas derrotas, a equipe de Vicente Feola terminou na 11ª colocação da tabela geral. O fracasso na Inglaterra levou a uma reestruturação interna na CBD, que seria vista quatro anos depois.

Por fim, os portugueses chegaram até a semifinal, quando perderam para a Inglaterra. Os donos da casa encararam a Alemanha Ocidental na grande decisão e, com um gol polêmico, venceu por 4 a 2 na prorrogação, conquistando o seu primeiro título no torneio.

Jogadores convocados

Goleiros:
Gilmar – Corinthians
Manga Botafogo

Laterais:
Djalma Santos – Portuguesa
Fidélis – Bangu
Rildo – Botafogo
Paulo Henrique – Flamengo

Zagueiros:
Bellini – São Paulo
Orlano Peçanha – Santos
Brito – Vasco
Altair – Fluminense

Meias:
Denilson – Fluminense
Lima – Santos
Gérson – Botafogo
Zito – Santos

Atacantes:
Pelé – Santos
Garrincha – Corinthians
Jairzinho – Botafogo
Alcindo – Grêmio
Tostão – Cruzeiro
Silva – Flamengo
Paraná – São Paulo
Edu – Santos

Ficha técnica

Campeã: Inglaterra
Vice-campeã: Alemanha Ocidental
Final: Inglaterra 4 x 2 Alemanha Ocidental
Artilheiros: Eusébio (Portugal) – nove gols
Colocação do Brasil: 11º lugar (eliminado na fase de grupos)
Artilheiros do Brasil: Pelé, Garrincha, Tostão e Rildo – um gol
Resultados do Brasil: Brasil 2 x 0 Bulgária | Brasil 1 x 3 Hungria | Brasil 1 x 2 Portugal

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