Como chega o Japão para a Copa do Mundo
Com ciclo marcado por grandes resultados, Japão chega ao Mundial como um dos candidatos à surpresa do torneio

Classificado para a sua sétima Copa do Mundo consecutiva, o Japão vive o melhor momento da história de sua seleção. Afinal, os Samurais fizeram um ciclo que contou com grandes resultados e uma vaga que veio de forma tranquila nas Eliminatórias. Por outro lado, faltou o título da Copa da Ásia e a consistência em momentos decisivos.
Logo no começo do ciclo, a seleção japonesa já mostrou que poderia crescer ainda mais. Após o empate contra o Uruguai e a derrota para a Colômbia, o Japão virou uma máquina ofensiva, com cinco goleadas que contaram com incríveis 22 gols marcados e apenas cinco sofridos.
Uma delas aconteceu contra a Alemanha, na casa do adversário, por 4 a 1, em um dos resultados mais marcantes da história dos Samurais. A sequência de amistosos se encerrou com uma vitória de 2 a 0 contra a Tunísia.
Com isso, a expectativa era enorme para a Copa da Ásia. Porém, o Japão teve dificuldades e venceu, de virada, o Vietnã, por 4 a 2. Na segunda partida, a sequência positiva se encerrou, com derrota para o Iraque. Na última rodada, os Samurais venceram a Indonésia por 3 a 1 para se classificar. Após passar sem dificuldades pelo Bahrein nas oitavas, a seleção caiu, perdendo de virada, para o Irã, nas quartas de final.

A frustração pela campanha no torneio continental ficou e virou motivação para as Eliminatórias. Na primeira fase, o Japão venceu os cinco jogos que fez, com quatro goleadas. Inclusive, um duelo contra a Coreia do Norte não aconteceu por conta de problemas governamentais. Na fase decisiva, venceu cinco dos seis primeiros jogos e isolou na liderança do seu grupo.
Logo no primeiro jogo de 2025, venceu o Bahrein por 2 a 0 e conquistou sua classificação, sendo a primeira seleção do mundo garantida na Copa pelas Eliminatórias. Com isso, teve mais de um ano para se preparar para o torneio. Inclusive, nos amistosos que realizou, o Japão voltou a ter vitórias marcantes, como contra o Brasil e contra a Inglaterra, e perdeu apenas para os Estados Unidos. No momento, os Samurais ocupam a 18ª posição do ranking da Fifa.
O destaque
Uma das grandes promessas do futebol japonês nos últimos anos, Takefusa Kubo vai para a Copa do Mundo vivendo o grande momento da sua carreira até aqui. Afinal, o jogador vem se tornando presença frequente entre os titulares da Real Sociedad e só não manteve uma média alta de atuações por conta de uma lesão que sofreu no começo do ano.
Kubo chamou a atenção do mundo na disputa da Copa América de 2019. Na época, recebeu o apelido de “Messi Japonês” e chegou a ser contratado pelo Real Madrid. O atacante nunca chegou a entrar em campo pelos Merengues, mas se manteve no futebol espanhol, sendo emprestado para Mallorca, Villarreal e Getafe, antes de ser adquirido pelo clube do Páis Bascos. Pelos Sumarais, o jogador atuou em 42 partidas e marcou sete gols.
O comandante
No comando da seleção desde 2018, Hajime Moryasu parece ter encontrado a melhor forma para o time. Afinal, o treinador esteve à frente dos Samurais na eliminação nas oitavas de final da última Copa. Além disso, também estava na comissão técnica de Akira Nishino na Rússia. Antes disso, comandou o Sanfrecce Hiroshima e também comandou a equipe sub-23 do país, em preparação para as Olimpíadas de 2020.

Como jogador, Moryasu estava em campo em uma das maiores tragédias do futebol japonês. Os Samurais estavam garantindo a vaga inédita na Copa de 94, mas sofreram o empate para o Iraque nos acréscimos, que tirou a classificação, em uma partida que ficou conhecida como “A Agonia de Doha”. Talvez, o treinador se inspire nos fantasmas do passado para conseguiur chegar ainda mais longe no Mundial.
Campanha em Copas
Depois do trauma de 1994, o Japão conseguiu de classificar para a Copa de 1998. Porém, perdeu todos os jogos e caiu na fase de grupos. Quatro anos depois, sediu o torneio e avançou para as oitavas de final, quando perdeu para a Turquia. Depois, em 2006, ficou no mesmo grupo do Brasil e também não avançou. Em 201o voltou a avançar, mas caiu para o Paraguai, nos pênaltis. Novamente, em 2014, não passou da primeira fase.

Nas duas últimas edições, viu o sonho de ir mais longe se aproximar. Em 2018, chegou a abrir 2 a 0 contra a Bélgica nas oitavas, mas sofreu a virada no segundo tempo, com direito a gol nos acréscimos. Já em 2022, na mesma fase, os Samurais saíram na frente da Croácia, mas sofreram o empate e perderam nas penalidades.
Time-base
Zion Suzuki; Watanabi, Taniguchi e Suzuki; Doan, Endo, Kamada, Kubo e Maeda; Ito e Mitoma.
O país
O Japão é um arquipélago constituído de mais de 6800 ilhas. O pais possui uma área de 377.975 km², com uma população de 124.631.000 habitantes, tendo Tóquio como capital. A nação é uma monarquia constitucional unitária parlamentarista de partido dominante, tendo Naruhito como imperador e Sanae Takaichi com primeira-ministra.
A economia japonesa é a quarta maior do mundo, com um Produto Interno Bruto de mais de quatro trilhões do dólares. O país tem como principais fontes de renda a indústria automotiva, de eletrônicos e robóticos. Entretanto, o Japão vive um momento de recessão, tendo como desafios a alta dívida pública e o envelhecimento da população.
Celebridades
A cultura japonesa é mundialmente conhecida com produções que fazem sucesso entre os jovens, como o mangás e os animes. Entretanto, nos últimos anos, os trabalhos deixaram o mundo das animações e já estão presentes em séries e filmes. Inclusive, destaque para One Piece, que se popularizou como um anime e agora já está presente nos streamings, tendo o ator Mackenyu Arata como figura mais conhecida.

Celebridades japonesas também são conhecidas em outras áreas. A cantora Hina Yoshihara ganhou fama internacional ao participar do grupo Now United. Além dela, também surgem como destaque os cantores Hikaru Utada e Ayumi Hamasaki, grandes nomes do J-Pop.

O que esperar do Japão
As campanhas nas edições anteriores mostram que a seleção japonesa vive uma evolução. Com apenas quatro derrotas em todo o ciclo, o Japão desponta como grande candidato a uma surpresa no torneio. Inclusive, existe a expectativa que os japoneses briguem com a Holanda pela liderança da sua chave, que ainda conta com Suécia e Tunísia. Entretanto, os Samurais ainda sofrem com a desconfiança da campanha ruim na Copa da Ásia, que aponta uma possibilidade da equipe ainda não ter amadurecido para os momentos decisivos das competições.









